Canção francesa de 1860 é considerada a gravação mais antiga do mundo

Paula Gil San Francisco, 7 abr (EFE).- São apenas dez segundos durante os quais uma voz feminina entoa uma canção popular francesa, mas esta gravação, datada de 1860, é a mais antiga do mundo e foi recentemente descoberta por dois pesquisadores dos Estados Unidos.

EFE |

No início deste ano os historiadores David Giovannoni e Patrick Feaster descobriram uma versão de "Au Clair de la Lune", de Pierrot Répondit, gravada com a ajuda de um aparelho chamado fonoautógrafo.

"Estávamos procurando desde o ano passado, foi um autêntico trabalho de detetives", reconheceu hoje Giovannoni em declarações à Agência Efe.

O fonoautógrafo foi inventado pelo francês Édouard-Léon Scott de Martinville, que chegou a criar imagens visuais do som usando uma agulha que se movia com as ondas sonoras e as marcava em um papel coberto de fuligem.

O inventor nunca conseguiu reproduzir a música que gravou, mas décadas antes de os direitos autorais se transformarem em um tema da atualidade, teve a perspicácia de patentear suas gravações.

Giovannoni e Feaster encontraram em 2007 várias gravações de Scott de Martinville no escritório de patentes francês, as escanearam e levaram para os EUA.

Ali trabalharam com pesquisadores do laboratório Lawrence Berkeley, na Califórnia, e descobriram que, infelizmente, a técnica de Scott de Martinville não estava muito desenvolvida e que havia marcas no papel, mas não sons gravados.

Foi necessário escanear mais amostras do trabalho do inventor francês para encontrar "Au Clair de la Lune" e usar complexas técnicas de leitura ótica para escutar a gravação.

A versão de "Au Clair de la Lune" gravada por Scott de Martinville, disponível ao público em alguns sites da internet, é de pouca qualidade, mas pode ser ouvida claramente uma voz feminina e até se reconhece a melodia.

O som chega ao ouvinte entrecortado e, segundo Giovannoni, lembrando que na realidade está gravado sobre fuligem, soa como se viesse de trás de uma cortina de fumaça.

A gravação é 17 anos mais antiga que "Mary had a Little Lamb", de Thomas Edison, considerada até agora a voz gravada mais antiga do mundo. Apesar disto, Edison, inventor do gramofone, não só conseguiu gravar a canção como também reproduzi-la.

Scott de Martinville inventou o fonoautógrafo e realizou as gravações apenas com fins de pesquisa e nunca se preocupou com que outros as escutassem.

"Au Clair de la Lune" foi ouvida pela primeira vez em público na última sexta, durante a conferência anual da Associação de Colecionadores de Som Gravado, na Universidade de Stanford (Califórnia), 148 anos depois de ter sido gravada.

"A reação das pessoas foi muito gratificante. Todos os presentes eram profissionais e entenderam sua importância", disse Giovannoni à Efe.

O historiador diz que, junto com Feaster, continua procurando nos arquivos e não descarta encontrar outras gravações "que poderiam ser inclusive mais antigas".

"São parte do patrimônio da humanidade, portanto, se as encontrarmos, vamos tentar dar a elas toda a repercussão que demos a esta gravação", declarou. EFE pg/mac/fal

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