Quem visita a Campus Party, que acontece até domingo em São Paulo, vê que o evento não atrai apenas adultos e jovens acima dos 18 anos. Crianças e adolescentes loucos por computadores estão entre as mais de 6 mil pessoas que circulam pelos 38 mil m² do Centro de Exposições Imigrantes.

Antenados nas novidades da rede, Adrielli Duarte, de 9 anos, Sabrina Pires, de 10, e Eric Vinícius de Campos, de 13 anos, são exemplos de crianças e "pré-adolescentes" que se inscreveram no evento para acampar no local e poder se divertir em meio a robôs, jogos de computador e todo tipo de inovação tecnológica. Quer dizer, eles não são visitantes comuns, são "campuseiros".

De acordo com a organização da Campus Party, ao todo, 15 dos 6.655 inscritos têm menos de 12 anos. A assessoria de imprensa informou que o total de participantes até 12 anos "deve ser maior este ano porque aumentou o número de inscritos" (ano passado foram 3,3 mil), embora não tenha o número da edição 2008 para comparação. Até essa idade, os participantes são isentos do pagamento de taxa, que tem preço mínimo de R$ 150. Os menores de 18 anos, que são 5,5% dos inscritos, necessitam de acompanhamento de um responsável.

Adrielli veio de Campinas com o pai, a mãe, o irmão mais velho, a namorada dele e um amigo da família. Ela gasta boa parte do dia na frente de jogos de computador, na companhia dos "campuseiros" vizinhos - "sendo bajulada", como conta a mãe, Eliana Duarte - e nas entrevistas para os mais diversos jornais e emissoras de TV. É tão requisitada que já se sente "uma estrela". "Não posso colocar o pé nesse corredor que minha mãe já me chama para falar com alguém", diz.

Mas Adrielli, que fez mechas vermelhas no cabelo especialmente para o evento, não se queixa e afirma que gosta da fama. "Quando começarem as aulas, as pessoas vão chegar na sala de aula e falar que me viram na TV e no jornal", conta, assim como aconteceu no ano passado, quando a professora mostrou para a turma da terceira série a entrevista que deu para um jornal. "E este ano estou mais popular."

A menina diz que está se divertindo na Campus Party. Tanto que acha uma semana de evento "muito pouco". "Queria que durasse dois meses", afirma Adrielli, contando que gosta de ficar nas barracas do alojamento e do fato de poder dormir tarde e usar o computador por mais tempo que seus pais permitem normalmente. Quando sentada em frente ao seu PC, que seu pai montou em forma de um cãozinho, é quase certo que estará concentrada nos jogos, principalmente "aqueles que em que tenho que cuidar de cachorro e de gato". O gosto, diz, revela sua vontade de ser veterinária no futuro. Além disso, a Campus Party também é uma oportunidade para fazer amigos, diz ela.

Foi na edição de 2008 que Adrielli conheceu Sabrina e sua irmã mais nova, Raquel, de 5 anos. Sabrina conta que adora falar com as amigas no MSN - programa de bate-papo online -, de fazer pesquisas escolares na internet e, claro, de jogos de computador. E assim como Adrielli, ela aproveita a tolerância dos pais para passar mais tempo entretida no PC, equipado especialmente com um joystick no estilo dos fliperamas. Normalmente, elas têm autorização para ficar 1h30 por dia no computador. "Aqui não tem nada para fazer e a gente pode ficar mais tempo. Já fui dormir às 5 da manhã", diz ela, empolgada. "Até sonhei à noite que estava jogando e meu computador explodiu."

A mãe das duas meninas, a criadora de pássaros de estimação Luciana Pires, afirma que nem precisariam dormir no pavilhão, já que moram no mesmo bairro onde acontece a Campus Party. A casa é tão perto que a família usa o telefone fixo de casa no evento. "Mas elas viram as barracas, a agitação, e aí não teve jeito. Tivemos que ficar acampados", diz Luciana, inscrita com as meninas e o marido na área de Modding - personalização e modelagem dos computadores, como o tuning para carros.

Adolescentes

Já os amigos Eric Vinícius, de 13 anos, e Fábio Moreira Tessari, de 15, tentam aproveitar ao máximo a banda larga de 10 gigabytes da Campus Party para fazer o maior número possível de downloads de músicas e jogos. Vizinhos de rua - e do centro de exposições onde ocorre o evento -, dificilmente deixam a mesa onde estão seus computadores. "Eu queria ir na festa (de terça-feira à noite), mas acompanhado, porque outros caras maiores estavam pulando feito doidos lá, mas ele só quis ficar aqui jogando", diz Fábio.

Eric nega e diz que geralmente passa cerca de duas horas no computador. Porém, ele é imediatamente desmentido pelo amigo. "Que nada, toda hora que eu entro no MSN ele já está lá", conta. Eric diz que pretende, no futuro, trabalhar com computação ou ser professor de educação física. Porém, concorda que, nesse caso, seria um contrassenso se continuar com seu hábito de passar "basicamente o dia inteiro" na frente do PC.

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