Campeões de voto em capitais usam mesma fórmula

Seis candidatos a prefeito de capitais que disputam a reeleição e que, de acordo com as pesquisas de opinião, despontam como campeões de votos, têm muito em comum, apesar de serem de partidos diferentes. Todos atribuem a popularidade a um coquetel que mistura trabalho junto à comunidade, democratização do orçamento e boa convivência com o governo federal, o que garante os recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e grande visibilidade junto aos eleitores.

Agência Estado |

Pelas pesquisas, todos deverão obter mais de dois terços dos votos no domingo.

"O trabalho do prefeito das 4 mil obras continua", diz o mote de campanha do prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB) - que, pela pesquisa Ibope do dia 25, está com 73% da preferência dos eleitores. A segunda colocada, Gleisi Hoffman (PT), tem a ajuda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, mas, mesmo assim, não foi além dos 16%. A ajuda desse peso político não assusta Richa: "Sou muito bem tratado pelo governo federal. O presidente Lula não discrimina o prefeito por ser de outro partido. Apresento meus projetos e trago obras do PAC para cá. Ganhei duas vezes o prêmio do Ministério da Educação por ter a melhor educação do País", diz.

Além do trabalho comunitário, o prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), adotou a tática de nunca desgrudar do eleitor: "Em quase quatro anos, nunca foi preciso a prefeitura pagar uma passagem aérea ou uma diária de hotel para mim, porque nunca saí da cidade", conta. "Em todo fim de semana vou para os bairros e faço mutirões para arrumar ruas, construir casas e atender a população". Ele está com 75 anos mas, apesar da idade, ajuda a levantar paredes e até a varrer ruas, ganhando com isso a simpatia do eleitor. De acordo com o Ibope do dia 19, está com 67% da preferência dos eleitores.

Situação muito semelhante é a do prefeito de Vitória, João Coser (PT). Ele está com 69% da preferência do eleitorado, de acordo com o Ibope do dia 20. "Discuto todas as iniciativas orçamentárias com a população. Depois, convoco um congresso, que referenda tudo. Desse modo, todas as obras são aprovadas antes pelos eleitores", explica. Ele tem relação muito boa com o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB) e, claro, com o presidente Lula, de seu partido. Obras do PAC é que não faltam em Vitória.

Nelson Trad Filho (PMDB), prefeito de Campo Grande, acha que os 69% de preferência do eleitorado, anotados pelo Ibope do dia 19, são frutos de sua gestão "democrática, popular e inclusiva". Ele diz ter inventado o que considera a versão moderna do orçamento participativo, uma marca do PT. "Faço um orçamento comunitário, o Comunidade Viva. Sempre digo o que dá e o que não dá para fazer. Falo isso na cara da pessoa".

O prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho (PSB), diz que o eleitor está dando valor ao trabalho administrativo, o que fez a prefeitura passar da quase falência para um órgão investidor: "O eleitor não é bobo. Ele sabe quando está sendo enganado. Viu que não adianta ficar esperando promessas. Precisa ver como cada um está administrando o município". Coutinho afirma que pegou a prefeitura sem recursos, o que era uma tradição na cidade. "Acabei com isso. Em 2004, investi R$ 18 milhões. Em 2007, R$ 97 milhões. Em 2008, vão ser R$ 120 milhões. Isso dá uma enorme visibilidade ao administrador". Ele está com 71% no Ibope do dia 11.

O sexto provável campeão de votos é o prefeito de Maceió, Cícero Almeida (PP), que tem 81% das preferências no Ibope do dia 17. Com tanta popularidade, tem o apoio de boa parte dos políticos alagoanos, do ex-presidente Fernando Collor (PTB), ao senador Renan Calheiros (PMDB). É adversário do governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), mas tem a ajuda do ex-deputado João Lyra (PTB), que indicou a filha Lurdinha para vice em sua chapa. Cícero também busca a participação popular na escolha das obras e seu forte é a articulação das alianças. "Com a ambição pelo poder, ninguém tem limites. As coisas, na minha vida profissional, aconteceram naturalmente, por reconhecimento", diz ele. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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