Campanha de Dilma na internet terá marqueteiro de Obama

RIO DE JANEIRO - O homem que liderou a estratégia revolucionária de internet de Barack Obama durante a campanha presidencial do ano passado acredita que métodos semelhantes podem transformar a política no Brasil e ajudar a eleger a primeira presidente mulher no País.

Reuters |

A empresa de Ben Self, Blue State Digital, foi contratada como consultora para uma estratégia online da campanha da ministra Dilma Rousseff, que provavelmente será a candidata do PT na eleição presidencial de 2010.

Como chefe da campanha digital de Obama, Self foi essencial na criação de uma enorme base de apoio que ajudou a levar Obama à Casa Branca e levantar 500 milhões de dólares para a campanha online do democrata, número recorde de doações.

"Engajamento político desse nível nos Estados Unidos também é algo novo", disse à Reuters em entrevista por telefone, de Washington. "Não há porque esse tipo de engajamento político não ser aplicado em outros países".

Self, que visitou Brasília este mês para encontro com Dilma, afirmou que sua companhia está trabalhando com uma parceira local para ajudar o PT a planejar a campanha, e que deve ter um papel maior quando a campanha começar de fato.

Agência Brasil
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, parece precisar da mágica de Obama. Dilma, que não tem o carisma do popular presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está bem atrás do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), nas pesquisas de opinião, e parece faltar uma mensagem estimulante, como os gritos por mudança da campanha "change" de Obama que inspiraram seus eleitores.

Self não quis comentar as qualidades de Dilma como candidata, mas disse acreditar que a internet, atualmente, é pouco usada como ferramenta de campanha no Brasil, e que ela poderia ser usada de forma eficiente para ajudar a campanha da ministra.

Seu envolvimento segue o debate nacional travado no Congresso sobre o uso da internet em campanhas, com deputados estudando mudanças nas lei eleitorais para restringi-lo.

Lula, que tem que chancelar qualquer proposta de lei aprovada pelo Congresso, tem apoiado publicamente o uso irrestrito da internet em campanhas eleitorais.

Acesso à internet

Embora milhões de brasileiros ainda não possuam acesso direto à Internet, este acesso vem crescendo bastante nos últimos anos, com o bom crescimento econômico do governo Lula ajudando milhões a saírem da pobreza para a nova classe média.

"Claramente, há uma grande parcela da população no Brasil que têm acesso à internet - de 60 a 70 milhões, dependendo da pesquisa", disse Self. "É um grande grupo de pessoas do qual tirar adeptos".

Entre os obstáculos enfrentados por esse plano de arrecadação pela internet no Brasil está o parco uso de cartões de crédito e a corrupção, que continua forte na política e pode impedir doações.

Assim como nos EUA, a estratégia no Brasil provavelmente buscará voluntários com entusiasmo e acesso à internet, que serão encorajados a estimular o boca-a-boca em seus bairros e convencer eleitores a votarem em Dilma.

"Os detalhes ainda devem mudar em relação à arrecadação, à organização. Mas a base do plano é criar um relacionamento bem sucedido a longo prazo entre a população e os candidatos do partido", disse Self.

Durante a campanha norte-americana, por exemplo, eleitores de Obama podiam baixar listas de pessoas em seus bairros que seriam alvos potenciais para votos e doações.

"Talvez isso funcione no Brasil e talvez não funcione, mas é o tipo de ideia, como pegar um apoiador da internet e transformá-lo em ação política", disse.

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