Monumentos de cidades brasileiras ficarão amarelos durante lançamento de campanha que visa reduzir número de vítimas do trânsito

A Organização das Nações Unidas (ONU) lança nesta quarta-feira (11) uma campanha mundial em favor das ações propostas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para reduzir o número de vítimas do trânsito pela metade. De acordo com a OMS, o trânsito mata 1,3 milhão de pessoas e deixa cerca de 50 milhões de feridos em todo o mundo a cada ano e o número de vítimas não está diminuindo.

No lançamento da campanha no Brasil, monumentos em diversas cidades ficarão amarelos, cor de algumas placas de trânsito. No Rio de Janeiro, o Cristo Redentor será iluminado às 18 horas. A iluminação do Jardim Botânico em Curitiba também ficará amarela.

O consultor da OMS no Brasil para a área de traumato-ortopedia, Marcos Musafir, explica que “é exatamente para celebrar esse lançamento mundial que o Cristo Redentor, a Torre Eiffel em Paris, a Muralha da China, Times Square em Nova Iorque e outros pontos do mundo vão ficar iluminados de amarelo”.

Pesquisa feita pela OMS em 178 países, com base em dados de 2008, mostrou que mais de 90% das mortes decorrentes de acidentes no trânsito são registradas em países de baixo ou médio desenvolvimento e que metade dessas vítimas são pedestres, ciclistas ou motociclistas. Essa proporção é ainda maior nas economias mais pobres, diz o estudo.

“A produção de veículos vai crescer, mas é preciso melhorar o transporte urbano, dar mais segurança ao usuário, principalmente o mais vulnerável, que são o pedestre, o ciclista e o motociclista. É preciso melhorar a atenção hospitalar e pré-hospitalar com a criação de centros de trauma. É preciso que leis sejam aplicadas, fortalecidas, e que a fiscalização atue bem”, indicou o consultor da OMS.

Marcos Musafir informou que o Brasil, Rússia, Índia e China estão entre os oito países que mais registram mortes no trânsito em todo o mundo. O Brasil ocupa a oitava posição nesse rol. Isso ocorre, segundo o ortopedista, “porque ainda há uma certa negligência, uma certa displicência no cumprimento do Código de Trânsito. Não há respeito à velocidade, ainda se usa álcool e drogas e se dirige, não se usa totalmente o cinto de segurança, não há uma fiscalização muito efetiva”.

Para ele, há uma grande parcela de responsabilidade do Poder Público. “Se o Estado não der condições de locomoção adequada para a população, não pode cobrar multa ou pegar o dinheiro da multa e não utilizar de volta no trânsito”. Essa é uma das recomendações da ONU, para que haja atenção na aplicação dos recursos advindos do trânsito, entre os quais, impostos sobre venda de carros, combustíveis e peças, além dos tributos sobre propriedade de veículos, as multas e as taxas de seguros.

A OMS prevê que em 2030 os traumatismos por acidentes de trânsito passarão a ser a quinta causa principal de mortalidade no mundo. Em 2004, eles ocupavam a nona posição no ranking.

Ação em São Paulo

Pedestres terão preferência em vias de São Paulo
Agência Estado
Pedestres terão preferência em vias de São Paulo
Motoristas paulistanos têm, a partir desta quarta-feira, de parar nas faixas de pedestre quando houver alguém atravessando - comportamento que já deveria ser obrigatório, segundo o Código de Trânsito Brasileiro. Começarão a valer em oito pontos da cidade as Zonas de Máxima Proteção ao Pedestre (ZMPPs), a mais recente tentativa de mudar comportamentos e reduzir atropelamentos.

O objetivo do programa é criar áreas onde a travessia dos pedestres será feita com a máxima segurança. Haverá reforço de agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) nesses locais e de orientadores de tráfego - pessoas que vão ficar com bandeiras e balançá-las na frente dos motoristas sempre que uma pessoa estiver atravessando sobre a faixa de pedestres.

Inicialmente, haverá ações apenas nas 8 ZMPPs, formadas provavelmente por dez cruzamentos. Essas áreas estão em um perímetro compreendido pelas avenidas Duque de Caxias e Paulista - os limites laterais serão a rua da Consolação e as avenida Liberdade e do Estado. O objetivo em um segundo momento é expandir a campanha para outras regiões da capital paulista.

Com informações da AE e Agência Brasil

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