Campanha contra abuso infantil é lançada no Recife

A capital pernambucana foi palco, ontem, do lançamento nacional da campanha Faça Bonito - Proteja Nossas Crianças e Adolescentes, no Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Recife, além de estar entre os municípios que enfrentam o problema, foi lembrada pelo caso da criança de 9 anos que era abusada pelo padrasto e engravidou de gêmeos, em Alagoinha, no agreste.

Agência Estado |

O caso teve repercussão nacional porque o aborto legal foi condenado pela Igreja. Uma caminhada contra a exploração sexual de crianças foi realizada no centro da cidade e reuniu 800 pessoas.

De acordo com a advogada do Centro de Defesa dos Direitos Humanos Dom Hélder Câmara (Cendhec) e coordenadora da rede de combate ao abuso e exploração sexual das crianças e adolescentes de Pernambuco, Gabriela Amazonas, 30% dos 947 municípios brasileiros identificados com graves índices de abuso e exploração estão no Nordeste. Sessenta e três deles em Pernambuco, segundo pesquisa do Ministério do Desenvolvimento Social e Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, do Ministério da Justiça.

“Embora a situação seja grave no Estado, há um descompasso entre a realidade e o que é registrado nas delegacias voltadas para o menor e o adolescente”, frisou Gabriela. No ano passado, foram registradas na Gerência de Proteção à Criança e ao Adolescente (GPCA) somente três casos de favorecimento à prostituição e nenhum caso de exploração sexual. Em contrapartida, a estimativa de denúncias relativas a abuso e exploração sexual ocorridas no ano passado chegou a 4,9 mil, segundo Risete Costa, gerente da Proteção Social Especial do governo estadual.

São Paulo - Na capital paulista, uma manifestação organizada por entidades da sociedade civil entregou 5 mil panfletos na Praça do Patriarca, no centro, alertando para o problema do abuso infantil. Na Câmara Municipal foi realizado o seminário Violência Contra Crianças: A Sociedade Pode Acabar Com Isso!, com participação de médicos e psicólogos.

Em cinco anos, as denúncias de abuso aumentaram 725% no Disque Denúncia - o Disque 100. Em 2003, quando o serviço gratuito de discagem foi criado, 4.494 denúncias foram recebidas. No ano passado, foram 32.588. Até abril deste ano, houve 10.683 denúncias. O serviço, coordenado pela Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, é o principal banco de dados sobre violência infanto-juvenil no País. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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