RIO DE JANEIRO - Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que policiais do Rio de Janeiro atiram contra o carro onde estava João Roberto Amaral Soares, de 3 anos, morto na noite do último domingo.

O titular da 19ª DP, Walter Oliveira, pediu nesta terça-feira à Justiça a prisão temporária de 30 dias do cabo William de Paula e do soldado Elias Gonçalves da Costa. Eles são acusados de terem disparados os tiros que mataram o menino João Roberto Amaral Soares, de 3 anos, na noite de domingo, na Tijuca, zona Norte do Rio de Janeiro. O delegado indiciou os PMs por homicídio doloso qualificado, ou seja, com intenção de matar e sem dar chance de defesa da vítima.

"Estou convencido da intenção deles de matar. Acredito que tenha sido um erro lamentável, mas o carro da família de João e o dos criminosos que eles perseguiam são totalmente diferentes. Eles atiraram para matar, mesmo que no carro errado", disse Oliveira. O delegado informou que foram fundamentais as imagens do circuito de segurança do prédio que fica quase em frente ao local do crime.

João foi atingido por uma bala na nuca, outra nos glúteos e ainda foi ferido de raspão na orelha. O menino teve morte cerebral diagnosticada ontem. Os pais autorizaram a doação dos órgãos, mas apenas as córneas puderam ser aproveitadas. Ele será enterrado nesta terça-feira no Cemitério do Caju, na zona Portuária do Rio.

Desabafo do pai

O pai da criança, o taxista Paulo Roberto Amaral, de 45 anos, fez um desabafo emocionado na porta do hospital, onde o filho foi internado. Eu sou taxista e estava trabalhando no domingo para juntar um dinheirinho para o aniversário dele, que ia fazer quatro anos no dia 29.

Eu estava com uma passageira, passando pela rua General Espírito Santo Cardoso (onde João foi baleado) quando ela notou que havia várias viaturas no local, mas eu nunca ia imaginar que iam executar a minha família. Metralharam o carro com uma mulher e duas crianças dentro. Minha mulher ficou cheia de pedaços de estilhaços pelo corpo, afirmou.

Segundo o taxista, Alessandra, sua mulher, voltava de uma festa infantil com os dois filhos do casal no carro. Além de João, estava no veículo o bebê Vinícius, de nove meses, que nada sofreu. Quando estava na esquina de casa, a mãe viu que um carro passou em alta velocidade e que ele estava sendo perseguido pela polícia. Ela encostou o carro para os policiais passarem, mas eles a teriam confundido com os bandidos.

"Mesmo atingida (por estilhaços), ela saiu do carro e jogou a bolsa do bebê para mostrar que tinha crianças. Isso foi a 200 metros da delegacia (19º DP)", contou o pai, muito abalado. O projétil que atingiu o menino na cabeça ficou alojado na quarta vértebra cervical. "Destruíram o cérebro do meu filho."

Baleado na cabeça

João foi baleado na cabeça durante uma perseguição de policiais do 19º BPM (Tijuca) a bandidos, na rua General Espírito Santo Cardoso, a poucos metros da delegacia do bairro. Eles seguiam criminosos que teriam assaltado pessoas momentos antes em ruas da localidade.

Testemunhas informaram que os policiais perseguiam um veículo Fiat Stilo preto, onde estariam os criminosos, mas acabaram atirando contra o veículo da mãe do garoto, um Palio Weekend cinza chumbo. Além de João, a advogada Alessandra Amorim estava com um bebê de nove meses, quando o carro foi atingido pelos disparos. Ela ficou ferida por estilhaços na barriga e na perna.

De acordo com testemunhas, a advogada chegou a jogar a mochila de um dos meninos pela janela, para mostrar aos policiais que os bandidos estavam em outro carro, mas há informações de que foram disparados pelo menos 15 tiros contra o carro que ela dirigia. As armas dos policiais que estavam na perseguição foram apreendidas para perícia.

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