A Camargo Corrêa apresentou nesta quarta-feira uma proposta de fusão de seus negócios de cimento com os da portuguesa Cimpor, que é alvo de aquisição da CSN. De acordo com fato relevante da Cimpor, o Grupo Camargo Corrêa está propondo, no âmbito da operação, a distribuição de 350 milhões de euros em dividendos extraordinários aos demais acionistas do grupo português.

Uma vez concluído todo o processo de fusão, no qual a Camargo Corrêa Cimentos seria integrada à Cimpor, o Grupo Camargo Corrêa teria "uma participação necessariamente inferior a 50 por cento do capital total e dos votos da Cimpor".

A Cimpor informou não ser possível, neste momento, emitir qualquer opinião sobre a proposta recebida, bem como o eventual interesse do negócio para os acionistas da cimenteira.

Oferta da CSN rejeitada

Na semana passada, o Conselho de Administração da Cimpor rejeitou, por unanimidade, a oferta hostil de aquisição apresentada em 18 de dezembro pela CSN, que se dispôs a pagar 5,75 euros por ação do grupo português, ou 3,86 bilhões de euros considerando 100 por cento do capital.

Na visão dos conselheiros da Cimpor, a proposta da CSN subavalia a empresa, com baixo prêmio em relação a outros negócios no setor fechados na Europa nos últimos anos.

Na última sexta-feira, o presidente-executivo da CSN, Benjamin Steinbruch, disse que iria conversar com os principais sócios da Cimpor para convencê-los de que sua proposta de compra é justa, sem acenar sobre a possibilidade de elevar sua oferta - condicionada à aceitação de pelo menos 50% dos acionistas.

De acordo com a Cimpor, a fusão sugerida pelo Grupo Camargo Corrêa com seus negócios de cimento depende de condições prévias, incluindo a compra de uma fatia de 15% a 25% do capital social da companhia sem que seja realizada uma Oferta Pública de Aquisição (OPA).

A Cimpor está entre as 10 maiores produtoras mundiais de cimento, com operação em diversos países. No Brasil, o grupo português é o terceiro maior em vendas e o quarto maior em capacidade produtiva, com seis fábricas de cimento aptas a produzirem 6,4 milhões de toneladas.

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