Câmara quer que Minc explique demora em cobrar multa

A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados quer convocar o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, para prestar esclarecimentos sobre a demora de nove meses na cobrança de uma multa de R$ 3 milhões lavrada contra o Grupo Bertin, frigorífico que salvou a Operação Boi Pirata de um desfecho constrangedor. Em agosto de 2008, um mês depois de a multa ter sido aplicada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), o frigorífico arrematou em leilão 3.

Agência Estado |

100 bois apreendidos durante a operação. Duas tentativas de venda já haviam sido feitas, mas tiveram de ser suspensas por falta de comprador.

Como revelou o Estado na edição de hoje, a multa contra o frigorífico, um dos maiores do País, só saiu da gaveta em abril passado, quando a história começou a circular por gabinetes de Brasília. "Se o ministro sabia ou não, não importa. Se houve demora na cobrança dessa multa, a responsabilidade é dele (ministro) e ele terá de responder por isso", afirmou o deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), integrante da comissão.

O deputado vai aproveitar um requerimento de convocação do ministro feito semana passada para incluir o caso Bertin na pauta da comissão. O pedido original tinha como objetivo pedir esclarecimentos ao ministro sobre um pronunciamento em que qualificava de vigaristas produtores rurais. "Agora, também vamos tratar da demora na cobrança da multa", contou Heinze.

Integrante da bancada ruralista, o deputado Valdir Colatto (PMDB-SC) apoia a convocação do ministro. E defende que, caso seja comprovado um eventual benefício ao frigorífico, Minc seja processado. "Essa demora na aplicação da multa é, no mínimo, muito suspeita", avaliou. De acordo com o deputado, no setor do agronegócio era público que frigoríficos haviam feito um acordo informal de boicote aos leilões dos "bois do Minc". "O ministério enfrentava uma situação constrangedora: com as vendas frustradas, o governo tinha de desembolsar recursos para manter o rebanho. É muito estranho que justamente um frigorífico com multa de grande valor tenha rompido o acordo informal." "Mais estranho ainda que, depois disso, a cobrança da multa tenha sido esquecida", completou. O frigorífico negou qualquer irregularidade.

A assessoria do ministro Carlos Minc afirmou ao Estado que ele não havia sido localizado para comentar o assunto. O líder do governo, Henrique Fontana (PT-RS), também não respondeu as ligações da reportagem.

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