Câmara manobra para Pacaembu ter centro educacional

Um terreno com algo em torno de 48 mil metros quadrados, repleto de jabuticabeiras e com um imenso casarão do escritório do arquiteto Ramos de Azevedo, é o mais novo ponto de discórdia no bairro do Pacaembu, zona oeste de São Paulo. Um projeto de lei dos vereadores Juscelino Gadelha (PSDB), Antonio Carlos Rodrigues (PR), Sandra Tadeu (DEM), Gilberto Natalini (PSDB), Jooji Hato (PMDB), Milton Ferreira (PPS) e Jamil Murad (PCdoB) quer mudar o zoneamento do espaço pertencente à Fundação Faculdade de Medicina, que pretende construir ali um centro educacional para médicos, dentistas, farmacêuticos e outros profissionais de saúde.

Agência Estado |

Apesar da pressão dos moradores do entorno, que temem pela tranquilidade do bairro estritamente residencial, já há acordo na Câmara para a aprovação da mudança inédita na capital.

A área, conhecida por ter abrigado a antiga Fundação Casa, foi adquirido pela fundação em 1998 por R$ 22,5 milhões, preço pago na época ao Estado. Além do gigantesco jardim, o prédio tem seis alas interligadas com uma capela no meio e é tombado pelo conselho de preservação do patrimônio estadual. Ele foi construído em 1895 para acolher crianças abandonadas na "roda dos expostos" da Santa Casa de Misericórdia, um mecanismo de recebimento de bebês ilegítimos que consistia numa caixa cilíndrica de madeira repartida ao meio, instalada no muro do edifício.

Em 1935, a casa no Pacaembu transformou-se no "Asylu Sampaio Vianna", para depois virar na década de 60 um orfanato do Estado e posteriormente acolher uma unidade da Fundação do Bem-Estar do Menor (Febem). Hoje, está sem destino, sem pessoas. Proibida de mexer na arquitetura do prédio e no lote do seu terreno, a Fundação Faculdade de Medicina faz lobby agora para mudar o zoneamento do terreno - o local deixaria de ser uma Zona Estritamente Residencial (ZER) e se tornaria uma Zona de Ocupação Especial (ZOE), onde é possível instalar um centro educacional.

"Queremos apenas mudar o equívoco que fizeram na legislação de 1974", diz Flavio Fava de Moraes, diretor da fundação. "Ali nunca foi residência, então só queremos que o Legislativo reconheça que é uma instituição. Não vamos alterar nem destruir nada, nosso projeto é montar um centro de capacitação de profissionais já formados, não é nem uma faculdade. Seriam cem alunos por período. A gente sempre cuidou do prédio, restaurou o patrimônio, fez obras, só queremos dar um uso para o terreno." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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