O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), disse ontem que, com ou sem consenso, a reforma política será aprovada na Casa. Na próxima reunião com os líderes partidários, na semana que vem, ele pretende discutir os dois pontos da reforma a serem votados com prioridade: financiamento público de campanha e voto em lista fechada.

"Claro que há aqueles que são a favor e os que são contra. Eu vou na reunião de líderes tratar desse tema e ver o que podemos levar adiante", afirmou. "Mas o que fica claro é que vamos fazer uma reforma política no País", garantiu o peemedebista, após participar de um evento em São Paulo.

Temer disse não esperar um consenso para pôr em votação a proposta e foi cuidadoso ao comentar a possibilidade de aplicação das eventuais mudanças no sistema eleitoral já no pleito de 2010. "Às vezes é muito difícil aplicar logo para a eleição seguinte", ponderou. A aposta dele é de que a Casa decida por uma reforma que passe a vigorar somente em 2014. "Tenho dito cautelarmente que, se não conseguirmos fazer para 2010, vamos fazer para 2014", comentou. "Quatro anos na vida de um País é pouca coisa."

Assim como expôs anteontem o ministro da Justiça, Tarso Genro, Temer também acredita que os temas prioritários sejam o financiamento público de campanha e voto em lista fechada. No primeiro caso, passaria a ser proibida qualquer doação privada às campanhas eleitorais. Todo o financiamento viria da União. No caso da lista fechada, o eleitor deixaria de votar nominalmente no candidato (deputado federal, estadual e vereador) e votaria somente no partido. Há relatos informais de que um grupo de 250 a 300 deputados estaria disposto a votar essas matérias nos próximos meses. Na semana que vem o PMDB pretende apresentar proposta do deputado Ibsen Pinheiro (PR) sobre esses dois temas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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