Câmara desiste de liberar novos gastos com funcionários

Uma semana depois de anunciar nova gratificação para chefes e funcionários com especialização e a ampliação do plano de saúde para funcionários comissionados, a Mesa Diretora da Câmara voltou atrás e cancelou as decisões, que vão na contramão do combate à crise financeira. Só a gratificação representaria gastos mensais extras de R$ 4 milhões.

Agência Estado |

Em nota oficial, a Mesa informa que o pagamento do adicional foi cancelado, porque entidades e funcionários anunciaram a decisão de ir à Justiça para exigir o pagamento de retroativos até 2007 - reivindicação que a Câmara se nega a atender. "Entidades e funcionários anunciaram que iriam à Justiça contra a Câmara dos Deputados, o que poderia acarretar mais gastos", diz o texto.

Em relação ao plano de saúde, a Câmara havia anunciado que faria a ampliação do benefício aos servidores comissionados sem nenhum aumento de sua contrapartida, que seria de R$ 43 milhões neste ano. Caberia, então, ao Sindicato dos Servidores do Legislativo (Sindilegis) negociar com empresas privadas e conseguir a ampliação do plano para os 12 mil funcionários comissionados. A proposta foi criticada pelo próprio sindicato, que questionou a possibilidade de serem prejudicados os servidores efetivos com uma redução de cobertura do plano.

A Mesa Diretora afirma em sua nota que uma nova decisão sobre o plano de saúde ficará "na dependência de uma proposta fundada em números por parte do Sindilegis e das consultas que a Câmara já vem fazendo junto a órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União e a Agência Nacional de Saúde."

Equívoco

O presidente do Sindilegis, Magno Mello, afirmou que as propostas eram boas, mas não foram bem explicadas. Ele foi recebido na assembleia do sindicato com gritos da maioria dos servidores pedindo sua renúncia. "Eles me colocaram na presidência, então eles têm o poder de me tirar", disse Mello.

Primeiro-secretário da Câmara, o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), um dos que haviam reclamado da decisão anterior da Mesa, comemorou o recuo do colegiado. "A Mesa corrigiu um equívoco. Ao recuar, zerou tudo e permite que possamos estudar tudo antes de tomar uma decisão dessas", afirmou.

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