Santo Antônio, vereador perpétuo de Igarassu, no litoral norte de Pernambuco, teve o salário revogado pela Câmara Municipal, diante de recomendação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que questionou a falta de amparo legal para o pagamento. Desde 1994, o santo tinha a remuneração mensal de um salário mínimo, que era recebido pela Igreja e Convento de Santo Antônio para ajudar crianças carentes ali atendidas.

O presidente da Câmara de Igarassu, Valdemir Nunes de Souza (DEM), afirmou que o ordenado foi anulado, mas não o título de vereador vitalício, concedido a Santo Antônio ainda no século XVIII pelo rei de Portugal, d. José I. "Mantivemos a tradição", disse Souza. Para não prejudicar as crianças, os dez vereadores arcarão com a despesa - a cada um cabendo a quantia de 41,50 reais.

A Igreja e Convento de Santo Antônio data de 1588. É o terceiro convento franciscano do Brasil e o primeiro sob a invocação de Santo Antônio. Em 1754, o santo, um dos mais populares do Brasil, recebeu o título de protetor da Câmara da Vila de Igarassu. Com a mudança de regime e de leis, com a Independência e a Proclamação da República, a designação perdeu a validade formal. Em 1951, a Casa decidiu restituir o rótulo de vereador perpétuo a Santo Antonio, por meio da Resolução 17, que incluía um vencimento simbólico, concedido, anualmente, para a compra do pão dos pobres, em 13 de junho, dia dedicado a ele. Em 1994, o pagamento foi definido como equivalente ao salário mínimo e passou a ser mensal.

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