Uma forte onda de calor mantém a maior parte do Rio Grande do Sul sob temperaturas sufocantes desde o início da semana e já provocou transtornos como falta de energia e água em pontos isolados da região metropolitana de Porto Alegre.

Embora não seja tão intensa como as de 1917, 1943, 1985 e 2006, a onda atual é responsável por alguns recordes. A madrugada de ontem foi a mais quente já observada na cidade desde o início das medições, em 1909.

A temperatura mínima no Jardim Botânico, onde está localizada a sede do 8º Distrito de Meteorologia, foi de 27,9 graus, superior à de 26,9 graus verificada em 29 de janeiro de 1933. Na madrugada de hoje as temperaturas foram semelhantes. No mesmo local, a mínima foi de 27 graus. Durante o dia, os termômetros se aproximaram dos 38 graus. Na tarde de ontem, haviam chegado até a 41,3 graus no bairro Menino Deus.

O consumo de energia também chegou ao maior pico da história. Na tarde de ontem, a demanda instantânea atingiu a marca de 5.267 megawatts. Na tarde de hoje chegou a 5.250 megawatts. A Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) informou que a infraestrutura estadual suporta carga de até 5.700 megawatts. Mesmo com alguma sobra, a estatal enfrentou problemas pontuais. A sobrecarga de alimentadores de algumas subestações provocou cortes no abastecimento de alguns bairros de Porto Alegre entre a noite de ontem e a tarde de hoje.

Consumo de água

O calor também aumentou o consumo de água, levando a Companhia Rio-Grandense de Saneamento (Corsan) a pedir que os gaúchos evitem lavar calçadas e carros enquanto a temperatura permanecer elevada. Em Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre, a demanda superou a oferta, cerca de 20 mil das 80 mil residências da cidade ficaram temporariamente desabastecidas, passando a depender da entrega feita por caminhões-pipa. Segundo o superintendente de apoio operacional em exercício da empresa, Ricardo Rozer Machado, o déficit de Gravataí estará superado até o fim do mês, quando entram em operação um reservatório e uma adutora novos.

Uma análise feita pela MetSul Meteorologia indica que a onda de calor é resultado da combinação de uma série de fatores, entre os quais um período de temperatura elevada das águas oceânicas dos Estados do Sul, um bloqueio atmosférico que impede a chegada de frentes frias vindas do sul do continente e a dissipação da zona de convergência que estava formada sobre Atlântico Sul, o que abriu uma espécie de "corredor de ar quente" do Centro-Oeste para o Sul do País.

A previsão do 8º Distrito de Meteorologia indica perspectiva de tempo parcialmente nublado com pancadas de chuva e temperaturas máximas próximas de 40 graus até domingo. Para segunda-feira há perspectiva de chuva e queda de cerca de oito graus na temperatura máxima. Esse alívio já chegou para os moradores da zona sul do Estado, onde a chuva forte, hoje, derrubou a temperatura de marcas próximas a 32 graus para cerca de 22 graus. No entanto, esse alívio não se estenderá às demais regiões até início da próxima semana.

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