Calor esvazia vigília no Supremo contra aborto de anencéfalos

Religiosos buscam abrigo do sol em sombrinhas e protetores solares, enquanto recorrem a slogans como “vida sim, aborto não” para tentar sensibilizar judiciário

Fred Raposo, iG Brasília |

Fred Raposo
O missionário franciscano João de Deus, de 28 anos, na frente do Supremo
A careca franciscana tem sido um problema para João de Deus, de 28 anos. Enfiado em um hábito marrom, característico da fraternidade “Toca de Assis”, em Brasília, o missionário já destilou, desde as 7h30, camadas e camadas de protetor solar sobre o cocuruto para enfrentar o calor que assola o agora reduzido grupo de religiosos que faz vigília no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o julgamento do aborto de anencéfalos .

Polêmica: Veja argumentos a favor e contra e dê a sua opinião!
Casos: 'Minha filha não é um monstro', diz mãe
Casos: 'STF deve dar mais direitos à mulher', diz mãe que abortou
Opiniões: 'Supremo vai corrigir o erro de oito anos atrás', diz antropóloga
Protesto: Religiosos fazem vigília em frente ao STF contra aborto de anencéfalos

“É duro, mas vale à pena”, conta João de Deus, que atua como missionário há nove anos nas cidades satélites da capital federal. “Tive uma prima que teve duas gravidez de anencéfalos. Os dois bebês viveram pouco, mas o importante é que ela deu a dignidade que eles mereciam. Nem que seja por um ou dois dias”.

João de Deus integra um grupo que desde ontem se debruça sobre a grade de ferro que cerca o Supremo, na Praça dos Três Poderes. Ontem, segundo organizadores dos religiosos, a manifestação reuniu cerca de 300 pessoas, entre católicos, evangélicos e espíritas. Hoje pela manhã, não ultrapassou as 40 pessoas.

STF / Divulgação
Religiosos passaram a noite em frente ao prédio do Supremo, em Brasília
O padre Pedro Stepien, do grupo Pró-Vida, conta que os integrantes da entidade chegaram ao local às 18h de terça-feira, e que só pretendem deixar a Praça após terminado o julgamento. “Vamos ficar rezando e cantando”, avisa. Stepien traja bata e calça pretas, chinelo de dedo e um boné Adidas verde, e tem um forte sotaque polonês.

Ele chegou no Brasil há dez anos, e hoje atua na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Luziânia, município de Goiás a 56 quilômetros de Brasília. Conta que a luta contra o aborto é uma de suas principais bandeiras. Para reforçar seu ponto, ele desencava do bolso esquerdo um boneco plástico de um bebê de 8 centímetros, que segundo ele representa a medida exata de uma criança de dez semanas de idade.

“O coração da criança começa a bater a partir da terceira semana”, ressalta Stepien. “A mídia fala que a criança não tem cérebro, mas tem algumas que vivem uma hora, duas horas, três meses ou até dois anos. Não podemos aceitar esse ativismo do judiciário, que quer substituir o legislativo. Amanhã vão dizer que bebês vítimas de síndrome de down não podem viver”.

Fred Raposo
Para o bacharel em direito Paulo Henrique Américo, o "aborto é um pecado grave contra Deus, além de trazer sequelas para as mães”
A redução do número de religiosos é inversamente proporcional à multiplicação do número de sombrinhas e guarda-chuvas para proteção contra os raios ultravioleta. Ocasionalmente, porém, os manifestantes largam de lado a sombra para voltar-se contra o Supremo aos gritos, sempre que algum ministro se pronuncia a favor do aborto. “Vida sim, aborto não” e “a Justiça é cega” são os principais slogans.

Alguns manifestantes também trouxeram faixas e cartazes, comm fotos de bebês mortos e mensagens contra o aborto. Outros vieram com imagens de santas. Estudantes do Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, de Brasília, por exemplo, montaram um altar de mais de dois metros para Nossa Senhora de Fátima. “Ela falou da crise do mundo moderno”, explica o bacharel em direito Paulo Henrique Américo, de 33 anos. “E o aborto é um pecado grave contra Deus, além de trazer sequelas para as mães”.

    Leia tudo sobre: ABorTOANENCÉFALOSANENCEFALIAsupremo

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG