RIO DE JANEIRO (Reuters) - Mais calor e manutenção do consumo de energia elétrica por setores industriais voltados para o mercado interno garantiram em março maior consumo de energia no país, apesar de em taxas menores do que as registradas antes da crise financeira global. No mesmo dia em que o IBGE anunciou indícios de uma leve recuperação na produção industrial de fevereiro, o Operador Nacional do Sistema (ONS) informou que o consumo de energia no Brasil subiu 2,1 por cento em março contra igual período do ano passado e 2,7 por cento na comparação com o mês anterior.

Na véspera, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, informou que as vendas de combustíveis da companhia em março haviam subido em relação a março de 2008, ao contrário do que ocorreu em fevereiro.

Segundo o ONS, os setores industriais voltados para o mercado interno mostraram-se menos afetados pela crise em fevereiro, mantendo assim a demanda por energia elétrica.

O operador destacou também a ocorrência de temperaturas mais altas no mês passado do que em 2008, principalmente nas regiões Sudeste e Centro Oeste.

As duas regiões, que formam o subsistema Sudeste/Centro-Oeste, tiveram alta de 3,1 por cento no consumo de energia em março contra fevereiro, e de 1,4 por cento comparado a março de 2008.

Desde janeiro deste ano as duas regiões apresentam acréscimo na carga de energia enviada pelo ONS, informou o operador. Além da indústria, as temperaturas mais altas também contribuíram para esse aumento.

O subsistema Sul teve uma variação positiva de 1,4 por cento em relação a fevereiro e de 4,1 por cento contra igual período de 2008, apesar da indústria da região ter sido bastante afetada pela crise internacional. O ONS destacou que a elevação de temperatura foi determinante para esse maior consumo de energia.

Na região Nordeste a carga de energia foi 2,7 por cento maior do que em fevereiro e 3,6 por cento comparada a março do ano passado.

"A taxa de crescimento da carga desse subsistema no mês de março está influenciada pelos efeitos da redução da carga ocorrida nesse mesmo mês do ano anterior, quando ocorreram, na região, chuvas intensas durante a segunda quinzena", informou o ONS.

Já o subsistema Norte, onde se concentram indústrias eletrointensivas voltadas para exportação que reduziram substancialmente sua produção, o consumo de energia caiu 2,8 por cento na comparação com fevereiro e subiu 0,6 por cento contra março de 2008.

Mesmo assim, o ONS observou que as empresas eletrointensivas "não têm apresentado reduções significativas em suas cargas em relação ao período do ano anterior".

(Por Denise Luna)

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