Soam os sinos e a marcha nupcial na Califórnia, onde a partir de segunda-feira os casais homossexuais poderão dizer o sim perante a legislação estadual que autorizou o casamento gay, um marco sem precedentes na história da conservadora sociedade americana.

Os casais do mesmo sexo poderão se casar na segunda-feira, quando completa um mês que a Suprema Corte da Califórnia emitiu uma sentença histórica ao considerar inconstitucional a proibição do casamento gay argumentando que é discriminatório permitir a união legal somente a um homem e uma mulher.

A medida entra em vigor na segunda-feira às 17H00 (21H00, horário de Brasília), e na terça-feira são esperados milhares de casais que fazem parte de um dos estados mais populosos dos Estados Unidos, com 37 milhões de habitantes, para oficializar a união entre a "parte A" e a "parte B", como estipulam os formulários que substituíram a definição de "marido" e "mulher".

Apesar da oposição de grupos conservadores, os homossexuais poderão oficializar o casamento e ganhar os direitos desde o extremo sul de San Diego, Los Angeles, o centro homossexual de West Holywood até a cidade de São Francisco, símbolo do movimento gay nos Estados Unidos.

A Califórnia se converte no segundo estado, depois de Massachusetts, a outorgar o direito ao casamento gay.

Em Nova Jersey e Vermont existem leis que garantem os direitos a casais do mesmo sexo, similares aos que casais heterossexuais dispõem como o direito de herança em caso da morte do parceiro e a divisão dos bens.

De acordo com recente pesquisa universitária, mais de 100.000 casais homossexuais vivem na Califórnia e a metade pretende se casar nos próximos três anos. Ao contrário de Massachusetts, a Califórnia autoriza a união de residentes de outros estados em seu território.

O potencial econômico promete. "Os gastos diretos dos casais californianos do mesmo sexo para se casar, assim como o de casais provenientes de outros estados, que terão que arcar também com estadia, beneficiará a economia do estado com mais de 638,3 milhões de dólares por ano, além de criar 2.100 empregos", afirma uma pesquisa da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA).

"Estes lucros serão bem-vindos no setor aéreo e do turismo, que no momento estão preocupado com as conseqüências da economia americana sobre o turismo tradicional", explicou Jack Kyser, diretor da câmara de comércio de Los Angeles.

Para muitas autoridades locais e casais homossexuais, o casamento significa o símbolo de um direito e a sentença da corte da Califórnia foi a responsável por esse precedente no país.

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