Caixa suspende atividades de lotérica de Novo Hamburgo

A agência lotérica Esquina da Sorte, em Novo Hamburgo, região metropolitana de Porto Alegre, que vendeu um bolão da Mega-Sena sem que a aposta fosse lançada no sistema da Caixa Econômica Federal (CEF), teve suas atividades suspensas nesta segunda-feira.

iG São Paulo com Agência Estado |

A partir de agora, a lotérica não poderá prestar serviços bancários, recolher apostas ou vender bilhetes de jogos oficiais. O estabelecimento é investigado por vender um bolão da loteria para cerca de 40 moradores da cidade que reivindicam o prêmio de R$ 53,3 milhões. Mas a Caixa não registra essa aposta em seu sistema.

Funcionários da casa admitem a possibilidade de um erro humano, mas descartam que alguém possa ter agido de má fé e refutam a desconfiança de alguns clientes que passaram a suspeitar que nenhuma aposta recolhida por "bolões" tenha sido feita. Levantam, como hipótese provável, a transcrição equivocada dos números ou para os comprovantes entregues aos clientes ou para a aposta efetivamente registrada na Caixa.

Diversos moradores compraram cotas de um "bolão". Quando conferiram as dezenas 20, 28, 40, 41, 51 e 58 sorteadas no concurso 1.155, os apostadores sentiram-se milionários. Poucas horas depois, quando procuraram saber o número de acertadores com quem dividiriam o dinheiro, descobriram que ninguém ganhou o prêmio, acumulado para o próximo concurso.

A modalidade bolão é montada e vendida pelas lotéricas com base apenas numa relação de confiança com seus clientes. O apostador fica com um comprovante oferecido pela casa, enquanto esta paga os jogos à Caixa e retém o volante oficial, o único que dá direito à retirada do dinheiro. No caso de Novo Hamburgo, foi oferecida a participação em 15 diferentes jogos a 40 pessoas, que pagaram R$ 11 cada uma para participar da associação informal. Uma das combinações continha as dezenas sorteadas no sábado.

Se tivessem dividido o prêmio por 40, os apostadores de Novo Hamburgo receberiam cerca de R$ 1,3 milhão cada um. Pelo menos 13 deles registraram ocorrência na Polícia Civil e vão à Justiça tentar obter o pagamento e compensações pelo dano moral que sofreram. "A ação será contra a lotérica e também contra a Caixa, que responde solidariamente", adianta a advogada Josmari Peixoto.

Em nota distribuída nesta segunda-feira, a Caixa destaca que "o comprovante emitido pelo terminal de apostas é o único documento que habilita o recebimento de prêmios" e promete que "a ocorrência será objeto de apuração". O texto também adverte que "caso se confirme a existência de irregularidade será aplicada a penalidade prevista nas normas internas, que podem ir de uma simples advertência até a revogação compulsória da permissão, de acordo com a gravidade do fato".

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