Cadê os geriatras?

Coordenador científico do Centro de Estudos em Envelhecimento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o geriatra Clineu Mello Almada Filho diz que a sociedade precisa se ajustar ao novo papel da terceira idade, que hoje ainda é minoria, mas que crescerá em volume de pessoas nos próximos anos. ¿Teremos uma quantidade de brasileiros acima de 60 anos nunca visto e todos sentirão o impacto, inclusive a própria geriatria¿, afirma o especialista nessa entrevista ao analisar o último estudo do IBGE sobre o envelhecimento populacional.

André Sartorelli, especial para o iG |

iG - Vai faltar geriatra no Brasil?

Clineu Mello Almada Filho - Hoje somos 700 ( nota da Redação: estima-se em 30 mil o número de pediatras no País ). É um número muito reduzido porque devemos considerar que essa especialidade chegou por aqui no início da década de 60 quando o Brasil ainda era um País de jovens. Só que esta realidade ficou no passado. A quantidade de pessoas da terceira idade crescerá significativamente nos próximos anos e serão necessários muitos profissionais qualificados para atender essa demanda.

iG - E que demanda será essa entre os adultos da terceira idade?

Clineu Mello Almada Filho - As doenças inevitáveis de quem já ultrapassou os 60 anos. Quem está nessa fase da vida precisa controlar alguns hábitos, deixá-los mais saudáveis. É importante aprender a viver bem com suas limitações físicas, ao driblar muitos obstáculos e adquirir autonomia e independência.

iG - Como viver melhor na terceira idade?

Clineu Mello Almada Filho - Basicamente são necessários o controle do peso, boa alimentação, prática regular de atividade física, distância do fumo e visita pelo menos duas vezes por ano ao médico. Quanto mais cedo se começa a pensar sobre isso, melhor.

iG - A sociedade em geral deve mudar a sua visão em relação à terceira idade?

Clineu Mello Almada Filho - Certamente porque a vida social da pessoas de terceira idade será mais abrangente. É difícil vermos no Brasil gente nessa faixa etária com limitações físicas na rua, por exemplo. Isso vai aumentar porque os mais velhos vão lidar melhor com sua situação. Trata-se de uma questão de auto-aceitação, o que chamamos de enfrentamento positivo.

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