Caco Ciocler encena obra inédita de Henrik Ibsen em SP

A primeira reação foi um certo descaso: aos olhos do ator Caco Ciocler, a peça Imperador e Galileu parecia, naquele momento (novembro do ano passado), mais interessante como leitura que como projeto de encenação. A paixão só surgiu dias depois, quando ele decidiu voltar ao texto.

Agência Estado |

"Desde então, não consigo parar de pensar nele", confessa Ciocler, que iniciou um intenso processo para viver o imperador Juliano na montagem que estréia hoje, no Sesc Santana, em São Paulo.

Escrito em 1873, Imperador e Galileu é um texto pouco conhecido do norueguês Henrik Ibsen (1828-1906), autor de clássicos como Hedda Gabler e Casa de Bonecas , cujo estudo psicológico dos personagens, crítica à burguesia e ao capitalismo, e a promoção do encontro do indivíduo com a sociedade o consagraram como pai do teatro moderno. "A peça nunca foi montada no Brasil e é considerada pelo próprio Ibsen como a sua maior obra", conta Sérgio Ferrara, diretor da encenação, apaixonado pela alma poética do dramaturgo norueguês desde que dirigiu, há dois anos, O Inimigo do Povo .

De alguma forma, as duas peças têm a mesma organicidade - enquanto O Inimigo do Povo trata de forma articulada e precisa o jogo do poder, Imperador e Galileu transita em temas espinhosos, como cristianismo e paganismo, intolerância religiosa e preconceito, além das relações sinuosas da Igreja com o Estado. O texto relata os momentos mais intensos da vida do imperador Juliano (século 4º d.C.), um dos mais polêmicos governantes por tentar destituir o cristianismo como religião oficial do Império Romano e resgatar os cultos pagãos.

"Na verdade, ele era um filósofo que, por conhecer muito bem o catolicismo, enfrentava uma religião que, no fundo, seguia à risca", comenta Ciocler, que dividiu o intenso período de ensaios com a filmagem de Família Vende Tudo , novo longa de Alain Fresnot, maratona que lhe permitia dormir apenas quatro horas por noite. "O que mais me fascina em Juliano é a contemporaneidade de suas dúvidas: ele era atormentado pelas mesmas contradições que o homem do século 21." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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