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Cabrini usou cocaína por credibilidade e integridade física , diz advogado

SÃO PAULO - Um dos advogados de defesa do jornalista Roberto Cabrini Renato Martins afirma que seu cliente usou cocaína para conquistar a confiança de integrantes do PCC para suas reportagens e para preservar sua credibilidade e integridade física.

Juliana Simon, do Último Segundo |

Segundo o advogado, no dia da gravação do vídeo em que o jornalista aparece consumindo a droga, Cabrini foi à casa de Nádia, que havia prometido entregar uma fita que comprovaria a veracidade de uma entrevista feita por Cabrini com o líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcola. A mulher estaria armada no encontro.

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Jornalista Roberto Cabrini deixa a prisão
"Para conseguir a prova, se defender da acusação de que a entrevista era falsa, preservar sua credibilidade e sua integridade física, ele foi obrigado a cheirar cocaína", diz o advogado. "O filho dela, escondido, fez a gravação para extorquir Cabrini".

Após outros encontros entre Nádia, o jornalista e a equipe da emissora em que ele trabalhava na época, a mulher assinou um documento em que admitia ter obrigado Cabrini a "passar por diversas provações" para conseguir a confiança dos integrantes do PCC. O texto, feito em 15 de janeiro, já faz parte dos autos da investigação sobre o jornalista.

Prisão na terça-feira

No momento do flagrante na terça-feira, "Cabrini foi à delegacia como testemunha e Nádia foi no camburão", diz o advogado. O delegado do 100º DP, segundo Martins, tentou convencê-lo a admitir que era viciado e que Nádia era sua amante para que não fosse indiciado por tráfico de drogas. Cabrini, no entanto, teria ficado ofendido, criando "uma situação" na delegacia e que, por isso, acabou preso.

"Tanto o Ministério Público, como a Justiça entenderam que as circunstâncias da prisão e os elementos encontrados não caracterizaram o tráfico", diz o advogado. Nesta quinta-feira, a juíza Maria Fernanda Belli, do Departamento de Inquéritos Policiais e Policia Judiciária (Dipo) de São Paulo, concedeu o relaxamento do flagrante o que, segundo o advogado, se configura como anulação de prisão.

O caso

Na noite de terça-feira, o jornalista estava acompanhado de Nadir, conhecida como Nádia, com 10 papelotes de cocaína, no Jardim Herculano, zona sul de São Paulo.

No depoimento à polícia, Cabrini disse desconhecer a origem da droga ou ser o dono dela. E afirmou ao delegado do caso, Ulisses Augusto Pascolati, que Nádia era uma de suas principais fontes com a cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC) e que marcara o encontro na favela porque ela lhe prometera três DVDs - um com imagens de maus-tratos em presídios e dois com depoimentos de Marcos Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo da facção criminosa.

Carta e reportagem

Um dia após a sua detenção, Cabrini enviou uma carta à imprensa na qual alega estar sendo "vítima de uma armação, em virtude de estar investigando assuntos que incomodam a muitas pessoas".

Cabrini explica que a investigação está relacionada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), caso em que diz atuar há dois anos.

"Jamais parei de investigar (o caso do PCC) e, apesar das inúmeras pressões, sempre tive certeza da autenticidade da entrevista que efetuei em maio de 2006 com o líder da facção, Marcos Camacho", afirma na carta.

O jornalista conta que uma fonte lhe procurou para entregar fitas relacionadas ao caso. "Neste material, o líder confirma a autenticidade da entrevista e fala sobre os fatos que envolveram os ataques de 2006."

Ainda segundo Cabrini, ele já havia assistido a 40 segundos da gravação e fontes do PCC disseram que "esclarecimentos sobre o que aconteceu durante os ataques só poderiam ser feitos quando sua revelação não representasse riscos à integridade física de vários detentos".

Três DVDs seriam entregues ao jornalista na zona sul de São Paulo, ontem, em encontro marcado com uma fonte. "Ao invés de receber fitas, houve, sim, uma abordagem policial."

E conclui: "Apesar de tudo, comunico que sempre protegi e protegerei minhas fontes, afinal considero o respeito entre fonte e jornalista um dos princípios mais sagrados da minha profissão."

Comunicado da Record

A direção da rede Record comunicou à imprensa que "tinha o registro interno que o repórter estava desenvolvendo uma reportagem de caráter investigativo". Também disse que Cabrini é reconhecido pela sua cobertura de reportagens especiais e por sua trajetória profissional nas principais televisões brasileiras.

Por fim, a emissora afirmou que "acredita na Polícia e na Justiça do Estado de São Paulo e espera a correta elucidação dos fatos".

*Com informações da Agência Estado

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