Cabral trabalha para evitar apoio de Dilma a Garotinho no Rio

A aproximação da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, com o ex-governador Anthony Garotinho (PR) causou desconforto no Palácio Guanabara. O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), tentará, durante o Carnaval, negociar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoio único à sua candidatura para a reeleição no Estado.

Reuters |

O encontro entre Dilma, pré-candidata do PT à Presidência, e Garotinho, que deve concorrer à sucessão estadual pelo PR, aconteceu na semana passada, no Rio de Janeiro, e deixou o governador do Estado, fiel aliado do Palácio do Planalto, bastante irritado.

"Foi algo inesperado e que deixou o governador atento", disse à Reuters um dos caciques do PMDB no Rio.

Quase uma semana após a reunião, Cabral ainda demonstra mau humor sobre o assunto. "Não quero comentar isso, não", afirmou Cabral a jornalistas em tom de nervosismo, após evento no Tribunal de Justiça do Rio nesta segunda-feira.

Garotinho, duas vezes governador do Rio, já foi um crítico feroz do presidente Lula e, no passado, costumava atacar publicamente o presidente, época em que atuava como secretário de Segurança Pública na gestão de sua mulher, Rosinha Garotinho, que o sucedeu.

O ex-governador do Rio foi candidato à Presidência em 2002, mas não chegou ao segundo turno da eleição, vencida pelo presidente Lula.

De olho na sucessão estadual em 2010, Garotinho - que deixou o PMDB depois de uma intensa disputa interna com Cabral pelo comando da legenda regional - se filiou ao PR , partido da base do presidente Lula, assim como o PMDB, de Sérgio Cabral.

"A nossa estratégia é de uma ação conjunta no Rio. O Garotinho quer o apoio da Dilma e em troca oferece palanque a ela", afirmou o assessor particular de Garotinho, Ricardo Bruno.

O ex-governador tenta convencer o Planalto que seu apoio não pode ser desconsiderado.

Provável adversário de Dilma na corrida presidencial, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), articula para ocupar o palanque da candidatura do deputado federal Fernando Gabeira pelo PV, mas ainda há dúvidas sobre se o apoio será totalmente para a pré-candidata Marina Silva ou dividido com o tucano.

A candidatura de Gabeira deverá representar a aliança entre quatro partidos de oposição: PV, PSDB, PPS e DEM.

Pesquisas internas encomendadas pelo PR apontam que Garotinho teria mais de 20% das intenção de voto.

"Acho que ela (Dilma) não vai querer prescindir de 23% dos votos do Rio", declarou Bruno ao ressaltar a força política de Garotinho no interior do Estado, além do apoio de Rosinha, que é prefeita da cidade de Campos, umas das cidades mais beneficiadas com os royalties do petróleo.

Nos bastidores, a tropa de choque de Cabral tenta abafar a candidatura do rival e tentará usar a influência do presidente Lula no partido do ex-governador para isso.

No entanto, o PR garante que a candidatura de Garotinho é real. "É irrevogável o apoio da direção nacional do PR à candidatura de Garotinho ao governo do Rio", disse o partido em nota.

Cabral pretende conversar com Lula na Marquês de Sapucaí sobre o cenário eleitoral no Rio. Segundo o Palácio Guanabara, o presidente deve acompanhar os desfiles das escolas de samba do camarote do governo do Estado, pelo segundo ano consecutivo.

FHC

Mesmo incomodado com a aproximação com Garotinho, Cabral manteve o discurso fiel a Dilma e defendeu a ministra no embate com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que em artigo na imprensa, no domingo, intitulado "Sem Medo do Passado", e em palestra a tucanos no fim de semana desafiou o "lulismo" a comparar as duas gestões "sem mentir e sem descontextualizar".

"A Dilma não chamou o FHC para a briga. O ex-presidente tem um papel na história brasileira extraordinário e ninguém nega isso", afirmou Cabral. "É natural comparar em um processo eleitoral. Ou você compara propostas entre quem não assumiu e quem já fez ou entre os partidos que já ocuparam o governo federal", disse.

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