Cabral compara milícias a tráfico e diz que polícia vai reprimir

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A polícia do Rio de Janeiro vai combater o avanço das milícias no Estado como vem enfrentando o tráfico de drogas, afirmou nesta quinta-feira o governador Sérgio Cabral. Não tem uma linha de conduta (por parte do Estado) para o tráfico e outra para as milícias. É a mesma coisa, declarou o governador, ressaltando ainda que o fortalecimento das milícias no Estado é resultado de uma ausência do poder público nos últimos anos.

Reuters |

Estima-se que cerca de cem comunidades do Estado já estejam sob o comando das milícias, grupos paramilitares formados por policiais, bombeiros, agentes penitenciários e até traficantes.

Segundo Cabral, assim como o tráfico de drogas, as milícias são um poder paralelo no Rio de Janeiro.

'Não vamos tolerar nenhum tipo de poder paralelo no Rio.

Estamos prendendo milicianos, traficantes... Não há restrição ao combate. Pode ter mandato e pode não ter mandato. Qualquer atitude marginal contra a sociedade terá nossa reação', afirmou o governador a jornalistas.

Na madrugada de quarta-feira, a delegacia de Campo Grande, na zona oeste da cidade, foi atacada por uma bomba artesanal que destruiu parte da fachada, o pára-brisa de um veículo e uma porta de vidro da unidade.

A polícia apontou o vereador Jerominho, do PMDB (que está preso) e o irmão dele, o deputado estadual Natalino Guimarães (DEM), como os mandantes do ataque. Dois policiais civis estariam envolvidos no incidente, segundo investigações.

Os parlamentares comandariam milícias na zona oeste da cidade, segundo a polícia. 'Se ficar comprovado que foi um ato de um parlamentar ele vai ser tratado como criminoso. É uma atitude criminosa', acrescentou Cabral.

A Assembléia Legislativa do Rio aprovou esta semana a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a ação de milícias no Estado. 'Vamos tratar desse assunto com extrema dedicação e só espero que não haja resistência na casa', disse o presidente da comissão, deputado Marcelo Freixo (PSOL).

(Por Rodrigo Viga Gaier)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG