Cabral baixa o tom e confia no Senado contra emenda Ibsen

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Depois de atacar duramente a aprovação da emenda Ibsen, na Câmara dos Deputados, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, baixou o tom de suas críticas à proposta que prevê uma redistribuição igualitária dos royalties e participações especiais do petróleo, o que prejudicaria o seu Estado. Após conversar com líderes no Senado, ele disse ter obtido garantias de que a medida que redistribuiu os recursos oriundos do petróleo não será referendada pelos senadores.

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"Conversei ontem com o presidente Sarney (José Sarney) e recebi uma ligação do senador Romero Jucá (PMDB-RR), e ele me tranquilizou que o Senado vai cumprir seu papel constitucional", afirmou nesta terça-feira Cabral a jornalistas.

Segundo o governador, "o Senado tem uma oportunidade didática de mostrar ao Brasil seu papel".

Cabral chegou a chorar um dia depois de a emenda ser aprovada, classificando a aprovação como uma "leviandade histórica".

"O Senado é um Casa revisora e da representação da Federação", acrescentou ele, ao reiterar que a emenda de autoria dos deputados Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) e Humberto Souto (PPS-MG) é ilegal porque desrespeita o princípio federativo.

"O pré-sal a ser licitado, esse sim pode ser debatido e discutido, mas jamais usurpando recursos passados", ressaltou.

Pela emenda aprovada na Câmara dentro do novo marco regulatório do petróleo, a redistribuição igualitária dos royalties e participações especiais vale para contratos vigentes e futuros.

O governador participou nesta terça-feira de mais um ato contra a emenda, dessa vez, realizado na Assembléia Legislativa do Estado.

Cabral foi recepcionado por prefeitos de cidades afetadas pela emenda e por parlamentares da Casa.

Ele convocou os presentes a participarem de uma grande mobilização programada para esta quarta-feira, no Centro do Rio.

O vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, disse que mais de 150 mil pessoas devem ser reunidas na manifestação.

"Essa é uma previsão conservadora. Tem gente falando em mais. Só operários do PAC serão 8 mil. Vem também mais de mil ônibus do interior e da Baixada Fluminense", disse ele.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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