Buscas por vítimas de naufrágio são retomadas com ajuda de 100 homens

SÃO PAULO - Foram retomadas, na manhã desta terça-feira, as buscas por vítimas do naufrágio da embarcação ¿Comandante Sales 2008¿, que afundou na madrugada de domingo, no Rio Solimões, no Amazonas. O barco teria perdido o equilíbrio e virado a cerca de 84 quilômetros de Manaus, nas proximidades do município de Manacapuru. São 30 bombeiros e 70 pessoas da Marinha de Manaus mobilizadas na busca. Na segunda-feira, o barco foi reflutuado e trazido para mais próximo de Manacapuru.

Redação |

Inicialmente, as informações eram de que pelo menos 16 pessoas haviam morrido no acidente. Entretanto, até a manhã desta terça-feira, 17 corpos já haviam sido encaminhados para o IML e identificados por suas famílias.

No domingo, o comando do 9º Distrito Naval da Marinha divulgou nota informando que a embarcação não tinha inscrição na Capitania dos Portos e, portanto, estava com documentação irregular. Um dos identificados como mortos, Francisco Alves de Sales, seria o proprietário da embarcação.

Durante inspeção naval, realizada em janeiro, o barco chegou a ser apreendido exatamente por não possuir a papelada legal nem tripulação habilitada para navegação.

Inicialmente, a Marinha disse que se tratava da embarcação "Comandante Sales". Na tarde da segunda-feira, após a reflutuação do barco, descobriu-se que o nome correto é "Comandante Sales 2008". A Marinha confirma que nenhuma das duas é inscrita na Capitania dos Portos.

Investigações

O Ministério Público abriu inquérito para apurar as responsabilidades pelo naufrágio. Segundo o escrivão da delegacia onde o inquérito foi aberto, Ricardo Coelho, estão sendo colhidos depoimentos e declarações de sobreviventes e os corpos estão sendo velados por suas famílias.

Coelho afirma que os sobreviventes ouvidos até o momento têm relatos parecidos do que aconteceu no dia. Segundo eles, o barco navegava normalmente quando surgiu um rebojo, expressão regional que significa um movimento inesperado da água, e o barco afundou parcialmente.

Segundo a Marinha, os próximos passos da investigação serão a confecção de laudos, perícias e entrevistas de mais testemunhas.

O acidente

O acidente com o barco Comandante Sales ocorreu por volta de 5h30 da manhã de domingo. Os passageiros da embarcação retornavam de uma festa realizada na comunidade "Pesqueiro", em frente à cidade de Manacapuru, do outro lado do rio Solimões.

O Corpo de Bombeiros informou ainda que 15 mergulhadores e mais 40 homens da corporação participaram do primeiro dia da operação de resgate das vítimas. Pelas condições do rio, o trabalho pode durar mais dois dias, de acordo com o sargento Marimar.

'O rio é largo e turvo, o que dificulta as operações, que podem se estender por mais dois ou três dias pelo menos', disse.


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"O barco estava vindo de uma comunidade do interior com destino a Manacapuru. Em certas épocas, eles vão ao interior para as festas, e na hora de voltar se amontoam todos em qualquer barco que aparece, que costumam não registrar as pessoas que entram", afirmou à Reuters por telefone o sargento Marimar.

Esse é o segundo naufrágio em rios amazônicos neste ano. Em fevereiro, a embarcação Almirante Monteiro  afundou após o choque com a balsa Carlos Eduardo, que transportava combustíveis e se deslocava para o município de Itacoatiara, a cerca de 170 quilômetros de Manaus.

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