Buscas por destroços do AF 447 continuam sem resultado

Por Fernando Exman RECIFE (Reuters) - A mobilização de aviões e barcos na busca pelos destroços do avião da Air France que desapareceu sobre o oceano Atlântico com 228 pessoas a bordo completou na sexta-feira o quinto dia sem resultados concretos, o que aumenta as incertezas sobre as causas do acidente e o destino dos corpos dos passageiros.

Reuters |

Segundo a Aeronáutica, a baixa visibilidade causada pelo mau tempo prejudicou nesta sexta-feira os trabalhos das equipes de resgate. Nenhum pedaço pertencente à aeronave, que fazia o voo AF 447 entre Rio e Paris, foi recolhido do mar e não há sinal de corpos, informou a Força Aérea Brasileira (FAB).

"O material que foi visto hoje, nenhum era relevante. O que nós estamos fazendo agora, já que é possível fazer uma busca com mais calma, é avaliar, antes mesmo de retirar o material da água, se esse material é um lixo que está jogado no oceano ou se é alguma parte dos destroços", disse a jornalistas o brigadeiro Ramon Borges Cardoso.

O brigadeiro, que dirige o Departamento de Controle do Espaço Aéreo da FAB, explicou que a Aeronáutica e a Marinha priorizaram, em um primeiro momento, eventuais salvamentos de sobreviventes e recolhimentos de corpos. Por isso, deixou para depois a coleta dos destroços avistados. como uma poltrona, fiação e uma peça metálica de 7 metros.

Segundo ele, a corrente marítima pode ter espalhado os destroços, que chegaram a formar uma trilha de aproximadamente cinco quilômetros no oceano. Assim, a área de buscas teve de ser aumentada.

"Além dos pedaços serem muito pequenos e a área muito grande, alguns desses destroços que estavam flutuando nos primeiros dias já podem ter afundado", comentou, acrescentando que a expectativa para o final de semana é de tempo bom.

"A poltrona é prioridade porque é feita para flutuar", acrescentou.

O brigadeiro rebateu as críticas de que foi adotada uma estratégia errada para as buscas.

"Não temos nenhuma recuperação de material. É diferente de dizer que não temos nenhuma pista, porque nós temos todo o histórico: a posição de onde aconteceu o acidente, a visualização da poltrona e de outros itens. Dizer que não temos nenhuma pista é como se não soubéssemos nada a respeito do avião, isso não é verdadeiro", argumentou.

"Eu imagino que se acontecesse o inverso, o governo francês faria a mesma coisa: tentar de imediato a busca de sobreviventes sem se preocupar com detalhes apenas para investigação. A vida humana seria muito mais importante", complementou o oficial.

ALERTA SOBRE VELOCIDADE

A Airbus fez um alerta a companhias aéreas sobre como proceder caso sejam percebidas falhas nos indicadores de velocidade. A fabricante informou que esse alerta não significa que houve erros dos pilotos ou que um defeito tenha sido a causa do acidente com o voo AF 447.

Mensagens de emergência enviadas durante três minutos antes da queda indicam que havia uma inconsistência entre diferentes velocidades aferidas pelos instrumentos logo depois que o avião entrou em uma zona de tempestade.

"(Esse) é um documento de informação que, de nenhuma forma, implica em qualquer culpa", disse Justin Dubon, porta-voz da Airbus na sexta-feira.

Mais de 300 aviões iguais ao do modelo que caiu no Atlântico --Airbus A330-200-- estão em operação em todo o mundo.

O órgão francês de investigações de acidentes aéreos deve divulgar um relatório inicial sobre o acidente até o fim do mês, mas encontrar evidências nos destroços da aeronave e, principalmente, a caixa-preta, é essencial para as investigações.

O ministro da Defesa francês, Herve Morin, informou que um submarino nuclear francês equipado com sonar vai ajudar nas buscas e a procurar as caixas-pretas do avião.

"O que nos sabemos é que ele (submarino) está se deslocando para a área provavelmente com essa intenção de obter ruídos que possam identificar a caixa-preta", disse o almirante Edison Lawrence Dantas, comandante do 3o Distrito Naval, que compreende a capital pernambucana.

Um navio francês equipado com um minisubmarino não-tripulado deve chegar no domingo à região, que tem profundidade de até 3.000 metros.

A Marinha do Brasil conta com três embarcações no local e outras duas devem chegar para auxiliar nas buscas durante o fim de semana.

No total, a FAB tem à disposição 12 aeronaves, sendo duas francesas e uma norte-americana. No sábado o avião P-3 Orion, dos EUA, deixará de colaborar com a operação e será substituído por uma terceira aeronave da França.

O voo AF 447 tinha 216 passageiros de 32 nacionalidades, incluindo sete crianças e um bebê. Segundo a Air France, 61 eram franceses, 58 brasileiros e 26 alemães. Dos 12 tripulantes, um era brasileiro e os demais franceses.

(Reportagem adicional de Crispian Balmer em Paris)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG