Bulimia nervosa: o pesadelo incessante pelo controle do peso

Bulimia nervosa: o pesadelo incessante pelo controle do peso Por Amanda Valeri São Paulo, 17 (AE) - A busca exagerada pelo controle do peso aliado a um cuidado obsessivo com a forma física. Esses são os principais comportamentos de uma pessoa que sofre com a bulimia nervosa, um transtorno alimentar caracterizado por momentos de ingestão demasiada alimentos, seguidos de atitudes de compensação dos excessos.

Agência Estado |

"A atitude mais comum é o vômito", afirma o endocrinologista Alex Carvalho Leite, chefe do departamento de endocrinologia do Hospital São Luiz, em São Paulo. "A prática excessiva de exercícios físicos e o uso de laxantes e diuréticos são outras medidas comuns". De acordo com o especialista, essas posturas são adotadas para aliviar o sentimento de culpa desenvolvido após a ingestão exagerada de alimentos.

Leite destaca que o diagnóstico desta doença é pressentido quando os episódios bulímicos se manifestam com uma freqüência mínima de duas vezes por semana durante três meses. "Se tiver este padrão, já pode ser classificada como bulimia", diz o endocrinologista. Este mal atinge, principalmente, mulheres jovens na faixa dos 12 aos 25 anos. Segundo o especialista, os casos a bulimia são mais freqüente em grupos que dependem do aspecto físico. "A doença é mais comum entre modelos, manequins e atletas", afirma.

Um aspecto interessante é que na bulimia, diferente da anorexia (outro transtorno alimentar), não há perda abusiva de peso. "A maioria dos pacientes portadores da bulimia tem peso normal e, em alguns casos, há até o sobrepeso", diz Leite, acrescentando que o único ponto em comum das doenças é o medo de engordar.

As causas da bulimia nervosa envolvem diversos fatores: genéticos, psicológicos, familiares e ambientais. "A bulimia é a fuga de um problema associada pela busca do corpo perfeito", afirma a psicóloga Rita Caligari, chefe do setor de psicologia do Hospital São Camilo-Pompéia, na zona oeste da capital paulista. "Por existir diversas causas, o tratamento da bulimia abrange diversas áreas médicas, como a endocrinologia, a psicologia e a nutrição".

De acordo com a especialista, a depressão, a baixa auto-estima, o consumo excessivo de drogas e álcool são outros fatores que podem contribuir para o desenvolvimento desse transtorno. "A pessoa bulímica se comporta normalmente perante a sociedade, mas, quando ela está sozinha, tem um comportamento compulsivo e de evasão dos desejos", explica Rita.

O tratamento da bulimia visa à educação alimentar e o controle do "ataque a geladeira". "Na nutrição, é trabalhado os conceitos distorcidos, os tabus e os mitos que envolvem o assunto alimentação", diz a nutricionista Andréa Romero Latterza, responsável pela Clínica Escola de Nutrição da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp). "Nós aconselhamos que o paciente tenha um diário onde ele deve anotar sempre o que come, quando, com quem, os sentimentos que teve, para controlar os períodos de restrição e conseqüente compulsão alimentar".

Andréa destaca que é desenvolvido um trabalho emocional e não apenas o alimentar porque o principal objetivo é alcançar a conscientização do distúrbio por parte dos doentes. "Nós trabalhamos com metas", diz. "Eu tive um paciente que vomitava 17 vezes por semana e trabalhei para que ele diminuísse para 10 vezes e isso já é um ganho enorme. Os limites são impostos aos pouco". A nutricionista classifica o tratamento como "terapia nutricional". "Não é receitada simplesmente uma dieta, mas sim um trabalho terapêutico sempre voltado para a alimentação porque é onde a pessoa desconta, extravasa", afirma.

Em geral, a bulimia não leva à morte, mas a repetição da indução ao vômito causa inflamação no estômago e na garganta, além da maior tendência de surgimento de cáries. Em alguns casos há o uso de medicamentos para o controle químico dos episódios bulímicos. "Não é porque a mortalidade não é alta que não vamos dar atenção. O diagnóstico e tratamento médico precoces são fundamentais para impedir o avanço da doença", destaca o chefe do departamento de endocrinologia do Hospital São Luiz, em São Paulo, Alex Carvalho Leite.

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