Bruxismo durante o sono Por Por Rosa Hasan e Flávio Alóe (*) São Paulo, 03 (AE) - O bruxismo é uma manifestação oral caracterizada por uma atividade involuntária estereotipada e repetitiva da musculatura mastigatória precedida por um despertar breve do sono, resultando em contato dentário anormal e causando sintomas e sinais locais e sistêmicos. Sua prevalência é igual nos dois sexos.

O problema é mais freqüente em crianças, atingindo de 14% a 17%, reduzindo-se para 12% em adolescentes, 8% em adultos e 3% em idosos.

O bruxismo pode ser classificado em primário, sem causas aparentes, ou secundário. Quando é secundário está associado a transtornos neurológicos, como demências, Mal de Parkinson, discenisia tardia, síndrome de Gilles de la Tourette (caracterizada pela presença de tiques motores e vocais), hemorragia cerebelar, retardo mental, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade; doenças médicas (refluxo gastro-esofágico, hérnia gastro-esofágica, fibromialgia); transtornos mentais (anorexia, bulimia nervosa); medicamentos (antidepressivos inibidores da recaptação de serotonina, antidepressivos tricíclicos, bloqueadores dopaminérgicos, flunarizina, metilfenidato, lítio, agentes anti-arrítmicos); drogas (nicotina, álcool, cocaína, ecstasy) ou transtornos primários do sono, como síndrome da apnéia obstrutiva do sono, roncos primários, síndrome de pernas inquietas (SPI), sonambulismo e transtorno comportamental de sono REM.

A má oclusão dentária ou a presença de desvios no alinhamento dentário não é causa primária ou fator que leve ao bruxismo durante o sono, mas pode se desenvolver secundariamente e contribuir para que o problema continue.

O ruído característico de ranger dos dentes é o fator primário e desencadeia a busca por tratamento. Outros sintomas são: cefaléias matinais, disfunção dolorosa da articulação temporo-mandibular, presença de tic com cerramento das mandíbulas durante a vigília, sono de má qualidade e sintomas neuro-cognitivos diurnos. Os sintomas dentários de bruxismo são desgaste dentário, dor local, hipersensibilidade térmica dental, desajuste oclusal, ruptura de restauros, doença gengival, hipertrofia dos músculos masséteres e temporais.

Ranger de dentes e sinais de bruxismo são extremamente variáveis ao longo do tempo, podendo haver longos intervalos e até meses sem sintomas ou semanalmente, em acidentes com bruxismo mais grave.

O diagnóstico clínico de bruxismo é feito através da história do paciente, do cônjuge e principalmente pelo exame odontológico. Os critérios de diagnóstico são:
- ruídos de ranger de dentes durante o sono;
- desgaste dentário;
- sintomas locais (dor local, dor na ATM sensibilidade térmica, etc..);
- hipertrofia da musculatura mastigatória;
- O tratamento odontológico do bruxismo primário e secundário com órteses intra-orais removíveis tem como objetivo prevenir danos das estruturas orofaciais, aliviar a dor crânio-facial e avançar a mandíbula nos casos coincidentes com Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono;
O tratamento comportamental do bruxismo primário abrange técnicas de relaxamento para desabituação de cerrar as mandíbulas durante a vigília e estresse, hipnose, medidas de higiene do sono e psicoterapia. O tratamento farmacológico do bruxismo primário e do secundário emprega drogas de diferentes naturezas.

Aplicações locais de toxina botulínica nos músculos masséteres e temporais podem ser utilizadas em casos de bruxismo secundário ou de primário intenso.

(*) Rosa Hasan é neurologista especializada em Medicina do Sono, médica do Laboratório de Neurofisiologia do Hospital São Luiz
(*) Flávio Alóe é neurologista responsável pelo Centro de Estudos do Sono do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e médico do Laboratório de Neurofisiologia do Hospital São Luiz
(**) O conteúdo dos artigos médicos é de responsabilidade exclusiva dos autores.

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