Brincar é o melhor remédio

Brincar é o melhor remédio Por Fernanda Aranda São Paulo, 15 (AE) - A máxima popular de que brincar é o melhor remédio acaba de ser comprovada cientificamente. A análise de 330 crianças em tratamento em um hospital público, acompanhadas durante um ano, mostrou que a mistura de bonecas, jogos e carrinhos aos medicamentos convencionais deixou os pacientes infantis menos estressados, dormindo mais tempo por noite, e ainda reduziu pela metade o comportamento agressivo.

Agência Estado |

A influência das brincadeiras na recuperação das crianças foi investigada por Clarisse Potasz, chefe de reabilitação do Hospital Estadual Candido Fontoura, na zona leste de São Paulo, em casos complexos, onde o estudo foi feito. Meninos e meninas de até 12 anos foram estudados de duas formas: um grupo brincou, livremente, duas vezes por dia, e outro não usou as técnicas da "brinquedoterapia".

"Na primeira etapa, avaliamos, por meio da coleta do sangue, os níveis de cortisol encontrados, o hormônio do estresse. Identificamos diferenças médias de 50% entre o grupo que brincou e o que não", conta Clarisse.

A segunda constatação foi de que as crianças que brincavam dormiam até meia hora a mais por noite. "O sono noturno tem uma função fundamental para a cura. É quando as proteínas dos neurônios são restauradas." Na última etapa da pesquisa, 110 crianças com distúrbios respiratórios do sono (pneumonias, resfriados crônicos) participaram. A turma que brincou, além de menos estresse, apresentou até duas vezes menos distúrbios de comportamentos e crises. "Ainda não é possível afirmar que a brincadeira é linha terapêutica para outros distúrbios. Mas os nossos resultados indicam que sim."

No corredor do hospital, há duas salas lado a lado. Uma das injeções e outra dos brinquedos. Wilson, Kayllane e Jackson Santos, todos com 3 anos, não conhecem os resultados da pesquisa, mas deixam claro qual tratamento preferem. Wilson, internado havia três dias por pneumonia, só parou de chorar quando passou pela sala da injeção e, aliviado, atestou que o rumo era a brinquedoteca.

Por lei, todos os hospitais que atendem crianças são obrigados a ter um espaço para brincadeiras. Mas fora das paredes hospitalares, a prática tem sido negligenciada. Pesquisa da Unilever com 1.024 famílias concluiu que 53% dos pais concordam que as crianças brincam menos do que deveriam.

Apesar disso, 26% dos responsáveis priorizam a preparação para o mercado de trabalho, enquanto só 19% deles consideram prioridade deixar as crianças brincarem mais. As agendas de "executivos mirins" - escola, inglês, natação - deixam pouco espaço para o "santo remédio".

Mas um estudo da Universidade do Vale do Paraíba, feito com crianças em idade escolar, revelou que, quando podem escolher, a brincadeira à moda antiga supera até o videogame no ranking das preferências. O placar ficou 37,3% contra 27%, uma vitória surpreendente nos tempos em que os olhos dos pequenos não desgrudam dos jogos eletrônicos.

Boxe:
O PASSO PASSO DA BRINCADEIRA

As dicas dos especialistas para os pais brincarem com os filhos, tarefa considerada indispensável para o relacionamento familiar e desenvolvimento da criança, são simples. O primeiro passo é sempre reservar um momento do dia para a brincadeira, mesmo que 30 minutos, que pode ser realizada em um tapete no chão, na sala ou até no quarto das crianças

O ideal é que a interação comece já nos primeiros meses de vida. A dica é, após o convite, deixar a criança "comandar" a brincadeira. Atividades livres são as mais recomendadas para os novinhos. A partir dos 5 anos, desenvolva jogos, como o da memória. No início da adolescência, 12 anos, pode ser até mesmo o videogame

Como o brincar é associado ao desenvolvimento infantil, a própria criança sugere brincadeiras compatíveis com a faixa etária. Exemplo: enquanto engatinha ela vai adorar uma bola e carrinhos, para tentar seguir os objetos. Quando começa a andar, a predileção é por carrinhos, cadeiras, brinquedos que facilitem o equilíbrio, sempre com supervisão

Até os 9 anos, evite jogos com peças miúdas. Clarisse Potasz também rejeita os brinquedos caros que, de tão robóticos, promovem pouca interação com a criança. "Brinquedo é bom e dá para pôr a mão." Ela afirma que o espaço para brincar deve ser livre. "Não dá para, nessa hora, a mãe ficar preocupada se o chão vai riscar".

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