Briguentos não se conformam com dificuldades da vida

Briguentos não se conformam com dificuldades da vida Por *Profº Luiz Gonzaga Leite Eles têm entre 15 e 25 anos e estão por toda a parte. Suas vítimas preferidas são pessoas franzinas e tímidas, sempre desacompanhadas.

Agência Estado |

Os briguentos tendem a cultivar uma imagem idealizada da família, têm menor capacidade para lidar com frustrações e limites, são mais agitados, e geralmente se mostram inconformados com as dificuldades da vida.

A rebeldia é normal, inclusive na formação da identidade. Mas a violência, não. Sem polemizar sobre os fatores sociais mal resolvidos, como o comprometimento da educação, da segurança e do emprego no país, acabamos nos voltando para as relações familiares, que ainda são o centro de muitos distúrbios apresentados pelos jovens.

Pais que não impõem limites desde cedo aos filhos e não demonstram interesse por sua rotina de vida, seja na escola, seja nos relacionamentos pessoais, são coadjuvantes das ações de violência praticadas pelos jovens. Há, inclusive, pais tão voltados para seus próprios problemas que simplesmente perdem o interesse pelos filhos. Essa atitude é uma forma de demonstrar que não se importam com o que fazem ou deixam de fazer. É o estresse e a depressão devassando as relações familiares.

Cinco medidas podem ser adotadas para evitar desfechos trágicos:

1. É necessário impor limites às crianças e ensiná-las a respeitar os outros, quem quer que sejam, desde muito cedo; estabelecer limites é um ato de amor;
2. Não se pode abrir mão de conhecer bem a escola do filho, seus amigos, e exigir que a escola adote um posicionamento enérgico em casos de agressão;
3. Os problemas de relacionamento dos filhos merecem muita atenção, por mais que isso exija disposição extra dos pais ao chegar em casa depois de um dia de trabalho estressante;
4. Não se devem fazer todas as vontades dos filhos por "preguiça" de negociar; negligenciar essa responsabilidade é correr riscos de transformar os filhos em psicopatas sociais;
5. Não se deve ceder aos desmandos da criança por culpa. Isso é muito comum entre pais divorciados ou que trabalham muito, por exemplo. Mais vale resolver o problema com terapia do que comprometer a formação do filho.

*O Dr. Luiz Gonzaga Leite é coordenador do departamento de Psicologia do Hospital Santa Paula (SP)- www.santapaula.com.br.

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