PARIS (Reuters) - A atriz francesa Brigitte Bardot foi a julgamento na terça-feira por insultar muçulmanos. É a quinta vez que ela é acusada de incitar ódio racial, em função de suas declarações polêmicas sobre o Islã e seus seguidores. A promotoria pediu ao tribunal parisiense que condene a ex-símbolo sexual, hoje com 73 anos, a dois meses de prisão com sursis e lhe aplique uma multa de 15 mil euros (23.760 dólares) por dizer que a comunidade muçulmana está destruindo nosso país e nos impondo seus atos.

Desde que se afastou do cinema, nos anos 1970, Bardot tornou-se uma ativista destacada em defesa dos direitos dos animais, mas também vem provocando controvérsias por criticar as tradições muçulmanas e os imigrantes oriundos de países predominantemente muçulmanos.

Desde 1997 ela já foi multada quatro vezes por incitar ao ódio racial. A primeira multa foi de 1.500 euros. Mais recentemente, ela pagou 5.000 euros em uma multa.

A promotora Anne de Fontette disse ao tribunal que pediu uma sentença mais dura que de hábito, dizendo: 'Estou ficando cansada de processar Brigitte Bardot'.

Bardot não compareceu ao julgamento, alegando incapacidade física. A expectativa é que o veredicto seja anunciado dentro de algumas semanas.

No ano passado, grupos franceses de combate ao racismo se queixaram de comentários feitos por Bardot sobre a festa religiosa muçulmana de Eid al Adha, em carta ao presidente Nicolas Sarkozy que acabou sendo divulgada por sua fundação.

Os muçulmanos tradicionalmente comemoram a Eid al Adha abatendo um carneiro ou outro animal, para lembrar como o profeta Abraão se dispôs a sacrificar a vida de seu filho, atendendo à ordem de Deus.

A França tem 5 milhões de habitantes muçulmanos, que compõem 8 por cento de sua população e são a maior comunidade islâmica da Europa.

'Estou farta de ser dominada por esta população que nos está destruindo, destruindo nosso país e nos impondo seus atos', disse a estrela de 'E Deus Criou a Mulher' e 'O Desprezo'.

Em outras ocasiões, Bardot já tinha declarado que a França está sendo invadida por muçulmanos que abatem carneiros e lançou um livro atacando gays, imigrantes e desempregados, no qual ela também lamentou a 'islamização da França'.

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