Brigas entre pai e madrasta eram freqüentes, dizem testemunhas

SÃO PAULO - O delegado Calixto Calil Filho, que investiga a morte da menina Isabella Nardoni, que teria caído do sexto andar de um prédio na zona norte de São Paulo, afirmou na tarde desta terça-feira que moradores do antigo prédio onde o pai e a madrasta da menina moravam disseram, em depoimento, que o casal brigava constantemente. Porém, o delegado ressaltou que a hipótese de crime passional está descartada até o momento.

Carolina Garcia, do Último Segundo |


AE
asasasass
Pai e madrasta de Isabella brigariam muito
"Dois vizinhos do antigo prédio contaram que eles, que seria o pai e a atual esposa, brigavam constantemente. Porém, nada envolvendo a menina. Isto faz com que eu descarte a possibilidade de crime passional", disse.

O delegado, que não viu o corpo, disse, com base nas investigações dos peritos do Instituto Médico Legal (IML), que a vítima possuía ferimentos na testa, na nuca e uma fratura no pulso.

"O fato da queda não ter machucado tanto a menina faz com que não descartemos a hipótese do corpo ter sido colocado no jardim".

Segundo o delegado, as investigações envolvem um suposto ladrão, o pai e a madrasta da menina. Nesta terça-feira, o pedreiro, acusado pelo pai da menina de envolvimento no crime, foi ouvido pelo delegado, quem também descartou esta hipótese.

"O pedreiro não entrou em contradição. Apresentou uma história simples fazendo com que eu não o considere como suspeito", disse Calil Filho.

"Pára, pai"

Mais cedo, quando chegou à delegacia, o advogado da família, Ricardo Martins,  afirmou que há possibilidade de erro de interpretação em um suposto pedido de ajuda da meni na. Uma testemunha teria dito que ouviu um grito de menina dizendo "pára, pai", antes de Isabella cair do prédio. Para o delegado, Martins tem "todo o direito de defender o casal".

Segundo o Calil Filho, a mãe biológica de Isabella será ouvida nesta quarta-feira, mas não foi definido o horário em que será realizado o depoimento. "A mãe está muito abalada, porém prestará depoimento a qualquer hora nesta quarta-feira".

O delegado disse que o depoimento da mãe será muito importante e ela será questionada em "tudo".

"Será questionada como ela conheceu o pai, o relacionamento deles e a relação do pai com a menina", disse o delegado que afirmou ainda que está ansioso para resolver o caso. "Se é que tem culpado, que ele seja punido e farei o possível para que isto aconteça".

Causa da morte

Laudo preliminar feito pelo Instituto Médico Legal (IML) indica que a menina foi sufocada antes da queda. Profissionais do IML, que trabalham no laudo, observaram características típicas de estrangulamento no corpo da menina, como a língua e a extremidade das unhas arroxeadas.

O delegado Calixto Calil Filho, titular do 9º DP, afirmou que exames preliminares indicaram que a queda pode não ter sido o motivo da morte de Isabella.

Reprodução
Isabella ao lado da mãe
Os legistas estranharam um ferimento na testa e outro nas coxas da menina. Inicialmente, eles acreditavam que as feridas eram mordidas. Mas, após análise, a hipótese foi descartada. A camiseta azul da menina estava rasgada nas costas.

Oficialmente, o diretor do IML, Hideaki Kawata, afirma que, por ora, não tem condições de dizer se a garota foi agredida. Ela morreu em decorrência da queda, isso é fato, disse Kawata. Nesse momento, qualquer afirmação diferente dessa é especulação.

Desde o início das investigações, a polícia crê em homicídio. Isabella caiu do 6º andar do edifício London na madrugada de sábado. Ela estava no apartamento do pai, o consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da madrasta Anna Carolina Trotta.

O caso

AE
Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira que eram divorciados. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Trotta Peixoto, estudante.

No sábado, foi encontrada morta no jardim do prédio do pai. A polícia descartou a hipótese de acidente e acredita que a garota tenha sido assassinada. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que há fortes indícios de que ela tenha sido jogada da janela do apartamento por alguém.

O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

A polícia afirmou que vai aguardar os laudos dos exames periciais, que ficarão prontos em cerca de 30 dias, para esclarecer as circunstâncias da morte. O delegado afirmou que Nardoni e Anna Carolina não são suspeitos. "Eles são averiguados", frisou.

A reconstituição do caso não tem data confirmada, segundo informações da Secretaria de Segurança Pública.


Leia mais sobre: queda - morte

    Leia tudo sobre: queda

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG