Braskem prevê alongamento da dívida com a Petrobras

O vice-presidente Financeiro e de Relações com Investidores da Braskem, Carlos Fadigas, afirmou hoje que a petroquímica pretende alongar mais da metade do vencimento de US$ 300 milhões acordado com a Petrobras International Finance, uma subsidiária da Petrobras, referente ao processo de fechamento do capital da Copesul. O valor restante deverá ser quitado ao término do prazo, no próximo mês de outubro.

Agência Estado |

"Nosso objetivo é alongarmos pouco mais da metade (do valor total) e pagar entre US$ 100 milhões e US$ 150 milhões", disse Fadigas, após encontro com analistas e investidores realizado hoje em São Paulo. O executivo não informou sobre o prazo proposto para o novo vencimento.

O valor negociado com a subsidiária da Petrobras respondia, ao final do segundo trimestre deste ano, por mais da metade dos vencimentos da Braskem para o restante de 2009. De acordo com o balanço de segundo trimestre divulgado pela empresa na semana passada, os vencimentos totais da petroquímica até dezembro somavam R$ 1,136 bilhão, dos quais R$ 610 milhões referentes ao acordo citado anteriormente. Esse montante, no entanto, já caiu para abaixo de R$ 600 milhões devido à valorização do real frente ao dólar desde o final de junho passado.

Além do acordo de alongamento da dívida referente ao fechamento do capital da Copesul, a Braskem também negocia com a Petrobras melhorias nas condições de pagamento para a compra de matéria-prima. "Continuamos pedindo à Petrobras mais tempo para pagar e melhores condições de juros", ressaltou. Tradicionalmente os prazos de pagamento são de até 15 dias, mas a Braskem defende que esse prazo possa ser estendido para acima de 60 dias, conforme vem sendo negociado pela empresa desde antes da assinatura do acordo com a estatal a respeito do fornecimento de nafta.

Crédito-prêmio

A petroquímica Braskem ainda não definiu se optará pelo prazo máximo de 180 meses para devolver aos cofres da União o valor referente ao crédito-prêmio do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) utilizado pela companhia desde 1990. De acordo com Fadigas, a decisão, a ser tomada até o final do próximo mês de novembro, deverá considerar os descontos possíveis na eventualidade de um pagamento em prazos mais curtos do que o máximo permitido pelo governo.

A companhia já tem provisionado em seus resultados um montante de aproximadamente R$ 750 milhões referente ao valor a ser devolvido aos cofres da União a partir da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de que a validade do crédito-prêmio do IPI se encerrou em 1990. Esse valor, no entanto, poderia ser revisado para baixo na eventualidade de a Braskem quitar o montante em um número menor de prestações. "Ainda acredito que o valor final poderia ser menor", afirmou Fadigas, após ser questionado sobre o tema por um analista. A companhia encerrou o segundo trimestre de 2009 com mais de R$ 3,2 bilhões em caixa, montante que poderia ser utilizado na quitação dessa pendência.

O executivo também lembrou que o "novo gasto" da companhia, determinado pelo STF na semana passada, não deve ser visto como um fator preocupante para os resultados da Braskem. Na eventualidade de o montante ser pago em 120 meses, por exemplo, a companhia teria de repassar ao governo federal aproximadamente R$ 75 milhões por ano, o equivalente a menos de 5% da geração de caixa da companhia em 2008.

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