Brasileiros sofrem com clima e vão mal na maratona

Por Marcelo Teixeira PEQUIM (Reuters) - O Brasil teve um desempenho ruim na maratona olímpica neste domingo, com apenas um dos três competidores do país conseguindo terminar a prova, disputada em uma manhã de bastante calor em Pequim.

Reuters |

José Teles concluiu a prova na 38a colocação, com o tempo de 2h20min25, bastante superior à sua melhor marca, de 2h12min, obtida no ano passado em Milão. O vencedor da prova, Samuel Wansiru, do Quênia, marcou tempo de 2h06min32, novo recorde olímpico.

Franck Caldeira abandonou a prova no quilômetro 25 e Marílson Gomes dos Santos parou de correr logo depois, no quilômetro 35.

Africanos se aproveitaram das condições de forte calor e elevada umidade para ficarem com as cinco primeiras posições -- um marroquino, dois etíopes e outro queniano completaram o bloco da frente de chegada.

Teles afirmou que provavelmente os dois outros brasileiros sentiram as condições climáticas da prova e não conseguiram chegar.

'Eu passei pelo Franck no quilômetro 19. Provavelmente o calor atrapalhou os dois', disse Teles pouco depois de cruzar a linha de chegada no Estádio Ninho de Pássaro.

Na Olimpíada passada, Vanderlei Cordeiro de Lima havia se destacado, conquistando a medalha de bronze mesmo sendo atrapalhado pelo padre irlandês que o agarrou quando liderava a competição.

Teles acredita que a preparação que ele e Caldeira fizeram antes de vir para os Jogos talvez não tenha sido a mais adequada.

Os dois passaram 33 dias treinando na altitude, na cidade de Paipa, na Colômbia, procurando elevar a capacidade aeróbica.

Depois vieram direto para Pequim.

'Lá era um pouco frio e seco, enquanto aqui estava muito quente e úmido. A gente corria uns dois quilômetros e a boca já ficava seca', afirmou.

No momento da chegada do primeiro competidor ao estádio a temperatura era de 30 graus e a umidade do ar de 39 por cento, com um céu sem nuvens.

'Eu precisei reduzir o ritmo depois da metade da prova para poder concluir, senão não ia dar', acrescentou Teles.

Marílson optou por outra preparação e não foi para a Colômbia. Ele ficou treinando em Minas Gerais.

Teles disse que estava contente de ter terminado a prova e afirmou que sua marca foi razoável.

'A sensação de entrar nesse estádio, com as arquibancadas cheias, é muito boa. Valeu toda a dificuldade até hoje para chegar aqui', afirmou ele, que nasceu no Piauí mas migrou para São Paulo para trabalhar -- era operador de empilhadeira antes de conseguir recursos suficientes, recentemente, para se dedicar somente ao atletismo.

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