Brasileiro está mais pessimista, mostra CNT/Sensus

Por Natuza Nery BRASÍLIA (Reuters) - A crise financeira global não só fez cair a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como também derrubou o otimismo do brasileiro nos últimos dois meses, mostrou nesta segunda-feira pesquisa do Instituto Sensus encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).

Reuters |

O índice que mede o ânimo da população em relação a temas sócio-econômicos ficou em 41,18 pontos . Antes da crise, essa marca orbitava acima dos 50 pontos.

Apesar do pessimismo no início deste ano, a expectativa para os próximos meses ainda está na faixa dos 65,90 por cento.

O desemprego é um dos principais fatores para o cenário negativo capturado pela sondagem. Subiu de 38,5 por cento para 54,5 por cento o número de entrevistados que acha que o emprego piorou nos últimos seis meses. Também subiu de 23,2 por cento para 32,6 por cento a parcela que sentiu uma diminuição de sua renda mensal.

Um universo de 44,8 por cento tem medo de perder o emprego se a crise financeira se agravar.

Mesmo sofrendo baixas, a avaliação positiva do governo ainda continua em patamares elevados, retomando o período pré-crise. ,E apesar dos efeitos da retração na economia, aumentou a capacidade do presidente de transferir votos a um candidato apoiado por ele.

Para 62,4 por cento dos entrevistados, o governo é ótimo ou bom, frente aos 72,5 por cento de janeiro. Mas, ao mesmo tempo, a parcela das pessoas que poderia votar num candidato apoiado por Lula passou de 44,5 por cento para 50,1 por cento.

"Embora decresçam o desempenho pessoal do presidente e avaliação positiva do governo, a população já começa a tomar partido (para a eleição de 2010)," disse a jornalistas Ricardo Guedes, responsável pela pesquisa.

O desempenho pessoal do presidente foi aprovado por 76,2 por cento dos entrevistados este mês, frente aos 84 por cento na sondagem anterior.

SERRA X DILMA

Com relação à intenção de voto para a sucessão presidencial em 2010, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), consolidou a liderança na consulta estimulada, com 45,7 por cento no principal cenário, ante 42,8 por cento, seguido pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), com 16,3 por cento, ante 13,5 por cento.

"Há uma estabilidade do Serra e um acréscimo da Dilma que vai se colocando paulatinamente (do ano passado para cá)", disse Guedes.

Num eventual segundo turno, Serra venceria a eleição com 53,5 por cento, contra 21,3 por cento de Dilma.

A sondagem já aponta uma polarização entre os dois nomes e indica que o desempenho da pré-candidata do governo também ficará atrelado aos rumos da crise.

"Tudo vai depender em que ponto a crise vai chegar", disse Guedes.

A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre os dias 23 a 27 deste mês com 2.000 entrevistados em 136 municípios. A margem de erro é de 3 pontos percentuais.

(Edição de Alexandre Caverni)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG