Brasileiro desconhece sintomas de AVC, revela estudo

Uma pesquisa realizada com 801 pessoas nas cidades de São Paulo, Ribeirão Preto, Salvador (BA) e Fortaleza (CE) revelou dados preocupantes sobre o conhecimento dos brasileiros em relação à doença que mais mata no País. Simulando um quadro de Acidente Vascular Cerebral (AVC), somente 15,6% dos entrevistados sabiam que os sintomas descritos referiam-se ao AVC.

Agência Estado |

"A falta de um consenso sobre a denominação da doença no País indica desconhecimento da população e que o AVC não tem recebido a atenção necessária das autoridades. Na pesquisa, foram citadas 28 nominações diferentes, inclusive um profissional da área de saúde que disse tratar-se de Acidente Venoso Coronariano", conta Octávio Marques Pontes Neto, neurologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto.

Pontes destaca também que 24% das pessoas abordadas indicaram corretamente o profissional que trata o AVC, o neurologista. "Os idosos, faixa etária que mais corre risco com AVC, e as pessoas com baixa escolaridade mostraram ser as que menos estão informadas sobre o assunto." Uma curiosidade é que, dos entrevistados, 35% sabiam o telefone de emergência (192) no País e 2% citaram o número 911, emergência nos Estados Unidos, para pedir socorro.

Até a referência ao popular derrame cerebral não pôde ser considerada correta, pois estigmatizou um tipo de AVC. "Apenas 15% dos casos de AVC apontam o extravasamento de sangue para o tecido cerebral. A maioria do casos ocorre pela interrupção do fluxo de sangue por uma artéria cerebral, o AVC isquêmico."

Emergência

A falta de conhecimento indica que uma pessoa, ao apresentar os sintomas iniciais do AVC, pode ser socorrida tarde demais. De acordo com informações da Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares, o AVC é responsável por 30% dos óbitos registrados no País. O tratamento trombolítico, ministrado nas três primeiras horas, desobstrui e restaura o fluxo sanguíneo cerebral, com melhoria da maioria dos casos. "No entanto, há risco de sangramentos em 6% dos casos, por isso deve ter critério rigoroso", diz Pontes.

Mesmo os pacientes que sobreviveram a um AVC correm riscos: cerca de 50% morrem após um ano, 30% necessitam de auxílio para caminhar e 20% ficam com seqüelas graves. O neurologista afirma que a pesquisa indica que os hospital brasileiros precisam se adequar. "Existem poucos centros especializados para a doença que mais mata no País."

Liliam Rana

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