Brasileiro confunde esclerose múltipla com demência

Pesquisa do Ibope aponta que a doença, mais comum em mulheres jovens, é pouco entendida pela população

Lívia Machado, iG São Paulo |

Embora existam registros da Esclerose Múltipla desde o século 20, uma pesquisa feita pelo Ibope, divulgada nesta terça-feira (24), revela que 70% população brasileira pouco entende sobre o problema e, sem conhecimento, o define como demência.

Segundo dados da Academia Brasileira de Neurologia, no mundo, há mais de dois milhões de portadores da doença. No Brasil, estima-se 30 mil pacientes. A Esclerose Múltipla afeta mais as mulheres, numa proporção de três para um, conforme antecipou a reportagem do Delas . A pesquisa dá corpo e números aos dados que já eram de conhecimentos dos principais neurologistas do País.

“É uma doença mais frequente do que se imagina e mais comum em um público jovem, no auge da produtividade. Embora o Brasil não lidere o grupo de países de maior incidência, não podemos permitir que a população simplesmente desconheça o problema”, endossa o especialista.

O Ibope entrevistou 1.026 pessoas, entre homens e mulheres, acima de 16 anos, de todas as classes sociais, nas cinco regiões do País. O nordeste revela o nível de conhecimento mais baixo sobre a doença. Segundo os dados, 53% dos entrevistados afirmou que nunca ouviu falar sobre a EM. No sul, porém, o cenário é menos alarmante. Mais de 70% dos participantes apontaram ter algum conhecimento sobre o assunto.

Esclerose, no dicionário – e na medicina –  significa o endurecimento do tecido de um órgão. No caso da esclerose múltipla esse processo acontece no sistema nervoso central, especificamente nas ligações entre os neurônios, dentro do cérebro. Essas ligações são encapadas por uma bainha de mielina, proteína que o organismo produz e detona a cada segundo. Na doença, a mielina é destruída a uma velocidade muito maior do que o organismo consegue produzí-la. Esse processo pode comprometer a visão e locomoção.

Informação e acesso

O objetivo desse senso, segundo Rodrigo Barbosa Thomaz, neurologista da Santa Casa de São Paulo e colaborador do projeto, é aproximar a população da doença por meio da informação. O diagnóstico precoce, segundo o médico, eleva as chances de tratamento. “Quanto mais precoce, maiores as possibilidades de proteção, tratamento e cuidados."

Reconhecer os sintomas, porém, não é tão simples. A doença acontece no cérebro, mas reage em diversas partes do corpo. Alteração visual, desequilíbrio e perda de sensibilidade são alguns dos efeitos.

“A medicina evoluiu bastante. Tanto o tratamento quanto o a confirmação da doença, hoje, são mais rápidos e eficazes. Mas é preciso que médicos e pacientes reconheçam os sintomas, e questionem sempre, a possibilidade da doença existir."

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