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Brasileiro aguarda o próximo capítulo de Quem matou Isabella?

Por Alice Assunção SÃO PAULO (Reuters) - Enquanto polícia e mídia competem para saber quem vai descobrir primeiro o assassino da menina Isabella Nardoni, o público convive com o drama da família em ritmo de novela, consumindo todos os detalhes da cobertura e esperando o próximo capítulo.

Reuters |

Desta vez não é 'Quem matou Odete Roitman?, 'Quem matou Salomão Ayala?', e sim 'Quem atirou Isabella pela janela?'.

Tudo começou no final de março e, em conjunto com as investigações, iniciava também um frenesi dos principais canais de televisão, rádios, jornais e agências de notícias.

'Eu já achei que pudesse crescer no domingo à tarde. Na segunda-feira já tinha um grupo de 15 jornalistas. Na terça, os veículos começaram a mandar seus principais repórteres', disse Wagner Gomes, repórter do Globo Online, sobre o crime que ocorreu num sábado à noite, dia 29 de março.

Segundo Gomes, o Globo Online mantém um dupla na delegacia que conduz o inquérito do crime por mais de 14 horas ao dia.

Ele ainda contou que uma repórter especializada em Cultura tem reforçado a cobertura.

A história de uma garota de cinco anos que é jogada do sexto andar do apartamento do pai e da madrasta toca a família brasileira. São pais divorciados e uma criança que passa cada final de semana em uma casa. É um drama que exerce um forte apelo.

'O brasileiro está muito acostumado com os dramas das novelas. Ele fica na expectativa do próximo capítulo', disse Glória Vanique, repórter da TV Globo.

'Essa dúvida no processo é um dos elementos que faz essa cobertura. E a comoção também...Está envolvendo pai e madrasta', acrescentou a repórter.

O alvoroço dos jornalistas ao sair ou entrar alguém das três delegacias envolvidas é um efeito da investigação à parte que é conduzida pela imprensa. Há um trabalho de dar ao público o poder de juntar as peças do quebra-cabeça bem como a Polícia.

E o público aceita a proposta e faz sua investigação particular.

Em horários de pico nos centros comerciais de São Paulo é possível ouvir pequenos grupos discutindo sobre quem é o assassino.

'Eu acho que foi a madrasta. Elas nunca gostam dos enteados', disse o porteiro Luiz Pereira Leite, 42 anos.

Pereira acompanha as investigações pela televisão que foi instalada na portaria onde trabalha.

O motoboy Alexandre de Oliveira Machado, 19 anos, discorda: 'Eu acho que foi a mãe, ela está muito calma.'

Alguns acreditam que há um exagero por parte da imprensa na cobertura dos desdobramentos do caso, há uma exaustão de chamadas anunciando detalhe por detalhe das investigações.

'Eu não aguento mais, já encheu! Mais de uma semana mostrando isso todo dia', disse Michel Carlos Lino, 22 anos, assistente administrativo.

Há os que se revoltam, como o suporte-técnico Marcos Luiz Meira, de 27 anos. 'Eu me nego a assistir. Cada vez que vejo uma coisa dessa, eu fico mais indignado.'

Outros acreditam que o caso recebe atenção nacional por se tratar de uma família de classe média.

'Acho que não estão exagerando. Não sei explicar por que eles dão tanta atenção para esse caso. Talvez por causa do poder aquisitivo da família', disse Maria Aparecida Rossano, 49 anos, vendedora de jornais.

O pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, deixaram nesta sexta-feira as delegacias onde estavam presos. No entanto, a Polícia ainda não solucionou o caso.

'Nós temos ainda um longo trabalho', disse Glória Vanique.

(Reportagem adicional de Stuart Grudgings e Stephanie Peasley)

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