Brasil vê soberania colombiana em bases, mas pede transparência

BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil reconhece a soberania da Colômbia no acordo com os Estados Unidos sobre o reforço de forças militares norte-americanas em bases colombianas, mas expressou desejo de que o tratado seja negociado com transparência, disse nesta quinta-feira o chanceler brasileiro, Celso Amorim. Segundo o ministro das Relações Exteriores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou, em encontro com sua contraparte colombiana, Álvaro Uribe, o propósito do Conselho de Defesa, que reúne países da região, para discutir a questão. Na avaliação do governo brasileiro esse é o melhor fórum para tratar o assunto, foco de tensões na região.

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Segundo do presidente Lula, o grupo tem o objetivo de atuar na gestão do impasse e clima de confiança de forma a dirimir divergências "com tranquilidade e de maneira técnica".

"Voltamos a reiterar que o acordo com os Estados Unidos, que seja específico e delimitado ao território colombiano, é uma matéria naturalmente de soberania da Colômbia", disse Amorim a jornalistas após o término da reunião dos dois mandatários, que durou cerca de duas horas.

Na saída, o presidente colombiano limitou-se a uma declaração de 40 segundos, em que saudou a imprensa e o povo brasileiro. Ao ser perguntado se participaria da próxima reunião da Unasul, apenas fez um gesto negativo com o dedo indicador.

A próxima reunião está marcada para dia 10, no Equador. A Colômbia, no entanto, já havia informado que o presidente não participaria do encontro. Na semana na passada, Lula disse que o Conselho de Defesa Sul-Americano poderia ser convocado para tratar da questão durante encontro da Unasul.

Questionado se o Brasil exigiu garantias de que as operações se limitariam exclusivamente ao território colombiano, Amorim disse: "E eu creio que isso será objeto de uma reflexão. Há uma sugestão (do Brasil) de uma transparência maior e temos que ver exatamente se isso satisfaz as nossas dúvidas ou não."

Ainda conforme o chanceler haverá mais conversas sobre o tema, sem especificar datas nem participantes.

O combate ao narcotráfico, um dos objetivos do acordo militar Colômbia-EUA, foi discutido pelos dois chefes de Estado. Segundo Amorim, falou-se da importância de América do Sul assumir o combate ao narcotráfico "sem ingerência externa".

O Brasil foi o último destino de um périplo feito pelo presidente colombiano em alguns países da região para justificar o tratado e diminuir a polêmica sobre a presença de forças militares norte-americanas no território do país.

Uribe argumenta que o projeto não inclui a instalação de bases militares norte-americanas, mas o uso compartilhado de instalações colombianas, necessário para fortalecer a luta contra o narcotráfico e a guerrilha.

O acordo com os EUA levou o governo da Venezuela a retirar no mês passado o seu embaixador de Bogotá. O presidente Hugo Chávez disse nesta quinta-feira que a única solução para a crise da Venezuela com a Colômbia seria que o governo de Uribe cancele seu plano de incrementar a cooperação militar com os EUA, que permitiria a utilização de sete bases na Colômbia.

(Por Natuza Nery, Edição de Maria Pia Palermo)

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