Brasil vai ganhar 80 leitos para transplante de medula

Medida é anunciada no lançamento da campanha nacional de doação de órgãos

Bruno Folli, iG São Paulo

O Ministério da Saúde (MS) pretende criar 80 novos leitos para transplantes de medula óssea, além de unificar diversos bancos de tecidos em 10 bancos multitecidos para baratear a administração destes espaços.

As duas novidades acabam de ser anunciadas por Alberto Beltrame, secretário de atenção à saúde do MS, durante o lançamento da campanha nacional de doação de órgãos, que ocorreu hoje (27/9) em Brasília.

Beltrame explica que o número atual de leitos para transplante de medula óssea se tornou insuficiente porque hoje é mais frequente o uso do órgão de doadores não aparentados. “Passamos a identificar mais doadores de medula não aparentados. Isso aumentou o número de receptores que aguardam pelos leitos”, diz. Em todo o País existem 350 leitos.

O secretário anunciou ainda o Plano Nacional de Implantação de Bancos Multitecidos. “Hoje temos bancos de córnea, de ossos, de pele, mas o gerenciamento deles de forma separada é mais caro e menos prático até para quem precisa. Por isso vamos unificar, de imediato, 10 bancos”, afirma o secretário. O investimento total em infraestrutura é de R$ 36 milhões, e o total da campanha é de R$ 76 milhões .

Reajuste

Diversos procedimentos médicos tabelados pelo SUS foram reajustados no lançamento da campanha. “Os transplantes estão se tornando cada vez mais complexos, com pacientes mais complexos. Isso aumenta progressivamente o custo do procedimento”, diz Beltrame.

Ele cita como exemplo o transplante de córnea, que foi reajustado de R$ 353 para R$ 1,2 mil, e o de coração, que dobrou o valor e chegou a cerca de R$ 6 mil. “Também criamos uma nova categoria para transplante de pulmão, que agora inclui os procedimentos para transplante dos dois pulmões”, anuncia.

Capacitação

“O mais importante de tudo é o investimento em capacitação de profissionais”, afirma Beltrame. Ele explica que treinamentos serão feitos em hospitais para que os profissionais de saúde consigam aperfeiçoar a forma de anunciar a morte dos pacientes aos seus parentes.

“A forma como a notícia é dada exerce um papel fundamental na decisão da família”, avalia o secretário. A recusa de familiares em autorizar a doação de órgãos do paciente com morte cerebral é uma dificuldade histórica enfrentada na área de transplantes no Brasil.

No primeiro semestre deste ano, dos 3.421 potenciais doadores identificados por equipes médicas, 809 não tiveram seus órgãos extraídos por recusa de parentes, segundo levantamento feito pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO).

Hoje 60 mil pessoas ainda aguardam um órgão na fila de espera. “Faço um apelo a todos os brasileiros. Manifestem a seus familiares o desejo de ser doador”, disse Márcia Bassit, ministra interina da saúde no lançamento.

Assista ao vídeo da campanha deste ano.

    Leia tudo sobre: doação de órgãos

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG