Brasil tem superávit nominal em abril, dívida cresce

Por Isabel Versiani BRASÍLIA (Reuters) - O superávit primário do setor público caiu em abril na comparação com o ano anterior, refletindo uma queda da arrecadação de impostos em meio à desaceleração econômica. Mas o resultado foi inferior aos vencimentos de juros, e o país registrou um superávit nominal no mês.

Reuters |

Ainda assim, a relação dívida/Produto Interno Bruto voltou a subir em abril, sob o impacto da valorização do real frente ao dólar, mostraram números do Banco Central nesta quinta-feira.

"Era de se esperar que, em função da crise, as receitas do governo caíssem", afirmou o chefe do Departamento Econômico, Altamir Lopes, a jornalistas.

"Mas o resultado (primário) ainda é suficiente para manter a dinâmica da dívida sob controle".

O superávit primário, que mede a economia feita pelo governo para cobrir gastos com juros, somou 12,494 bilhões de reais em abril, em linha com o esperado pelo mercado e o melhor resultado mensal do ano. Em abril de 2008, o superávit primário foi de 18,712 bilhões de reais.

O vencimento de juros, em queda por conta da redução da taxa Selic, somou 12,182 bilhões de reais em abril, o menor valor para o mês desde abril de 2004, quando somou 9,904 bilhões de reais. Com isso, o país registrou o primeiro superávit nominal desde outubro, de 313 milhões de reais.

No ano, o superávit primário acumulado é de 33,4 bilhões de reais, bem abaixo dos 61,7 bilhões de reais de igual período de 2008.

Em 12 meses encerrados em abril, o superávit primário foi equivalente a 3,06 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), ante 3,29 por cento do PIB em 12 meses até março.

DíVIDA SOBE

Mesmo com o resultado nominal positivo, o endividamento do país como proporção do PIB subiu em abril para 38,4 por cento do PIB, frente a 37,6 por cento do PIB em março.

Segundo o BC, a valorização cambial ocorrida no mês respondeu por uma elevação de 23,1 bilhões de reais do endividamento, o equivalente a 0,8 por cento do PIB. Isso ocorre porque o setor público é atualmente ativo em câmbio e a valorização cambial reduz o valor, em reais, de suas reservas internacionais.

No ano, a valorização do real contribuiu para uma elevação do endividamento correspondente a 0,9 ponto do PIB.

Para maio, a projeção do BC é de que a relação dívida/PIB fique em 39,0 por cento. A estimativa ainda considera os resultados fiscais da Petrobras. O governo já anunciou que pretende isentar a estatal da obrigação de contribuir para os resultados fiscais do setor público, mas legislação nesse sentido ainda não foi aprovada pelo Congresso.

A exclusão da Petrobras será negativa para a trajetória da dívida, uma vez que a estatal tradicionalmente registra superávits primários.

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