Rio de Janeiro, 3 ago (EFE).- O Brasil registrou nos últimos dias mais casos da gripe suína que da convencional, afirmou hoje o ministro da Saúde, José Gomes Temporão.

De acordo com o ministro, os casos da nova gripe, que por enquanto é menos mortal que a comum, já representam 60% do total de infectados pela doença no Brasil e a tendência "natural" é que essa porcentagem continue aumentando.

"Vamos ter um aumento no número de casos. Trata-se de algo natural, porque o vírus está se disseminando", admitiu Temporão, sobre a nova gripe que, segundo o "Diário Oficial", já provocou 76 mortes e 1.958 casos confirmados, assim como 10.623 casos suspeitos.

"Durante 80 dias conseguimos impedir a circulação do vírus, mas quando ele rompeu as barreiras, se misturou ao vírus da gripe convencional. Os dois estão competindo de certa forma", disse.

Temporão admitiu que, apesar do desafio, o sistema sanitário nacional está bem preparado para fazer frente à doença e conta com estoques suficientes de Tamiflu, o medicamento utilizado no tratamento.

O ministro afirmou que, com a disseminação da doença e diante da similaridade dos sintomas dos dois tipos de gripe, considera desnecessário que os médicos continuem mandando pessoas com suspeita da doença para confirmação em laboratório.

"Isso é um disparate. Nenhum país continuou fazendo isso. É uma medida irresponsável do ponto de vista das despesas e impossível do ponto de vista logístico", disse.

De acordo com o ministro, os médicos estão sendo orientados a prescreverem o Tamiflu para pessoas com sintomas claros da doença, sem a necessidade de esperar a confirmação.

O medicamento está sendo entregue nos postos públicos de saúde a pacientes que apresentem a prescrição médica.

"A distribuição indiscriminada do remédio é uma grave irresponsabilidade", afirmou o ministro, ao responder a especialistas que pedem que o remédio seja fornecido a todas as pessoas em grupos de risco, como grávidas e idosos.

"Podem estar pensando em defender a saúde pública, mas o que estão fazendo é condenando centenas de pessoas à morte", acrescentou o ministro, para quem a distribuição sem controle pode estimular a automedicação e gerar uma resistência ao vírus.

"Corremos o risco de perder a única arma que temos hoje para combater a doença", disse. EFE cm/pd

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