Brasil tem 87 magistrados ameaçados de morte, diz CNJ

Número é resultado de um levantamento junto aos Estados, mas nem todas as cortes responderam à solicitação do CNJ

Fred Raposo, iG Brasília |

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informou nesta sexta-feira (12) que o Brasil tem 87 magistrados ameaçados de morte. A corregedora Nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, disse que o número é resultado de um levantamento junto aos tribunais de justiça (TJ's) dos Estados. Nem todas as cortes responderam à solicitação, segundo o Conselho, enviada em junho.

No Rio de Janeiro, onde a juíza Patrícia Lourival Acioli foi assassinada, o CNJ sabe que pelo menos 13 magistrados correm risco de morte , sendo sete desembargadores e seis juízes. Apesar do nome de Patrícia aparecer numa lista apreendida pela polícia com 12 pessoas marcadas para morrer , ela não estava na relação do CNJ.

A Associação dos Magistrados do Rio comunicou que ela havia dispensado a segurança oferecida pelo TJ fluminense . "Se ela estivesse em um carro blindado, talvez não tivesse acontecido aquilo", disse a corregedora.

"Há muito tempo que a juíza Patrícia bate de frente com grupos de extermínio e também com outros grupos perigosos, como o de transporte ilegal e vans e os bicheiros”, disse a corregedora. “Bandidos não despertam a ira da Justiça ou da polícia, a não ser quando querem intimidar ou por vingança pessoal”.

Segundo o levantamento, o Paraná é o estado com o maior número de magistrados ameaçados: 30 no total. Ele é seguido por Maranhão, com 24 pedidos de escolta. Os tribunais de justiça de São Paulo e Minas Gerais não responderam.

Eliana Calmon afirmou que pediu um estudo à Comissão de Eficiência Operacional e Gestão de Pessoas do CNJ para elaborar um projeto de segurança para os magistrados. “Hoje não existe um planejamento global. A segurança dos magistrados é feita hoje pelos tribunais de justiça. Esse mapeamento servirá para que possamos tomar ações concretas”, disse a ministra.

A corregedora assinalou ainda que o papel do CNJ é agir subsidiariamente. Eliana Calmon contou, por exemplo, o caso de uma juíza do Maranhão que pediu proteção de um carro blindado ao TJ do Estado, que negou o pedido. “Ela recorreu ao CNJ, que conseguiu o automóvel”, afirmou.

Juíza condenou ex-político

No ano passado, a juíza Patrícia Acioli foi responsável pela condenação do ex-vereador Édson da Silva Mota, conhecido como Mota da Copasa. Ele era acusado de chefiar a máfia de vans em São Gonçalo.

Mota da Copasa foi condenado a seis anos de prisão pelo crime de formação de quadrilha. Seu filho, suspeito de participar do bando, também foi sentenciado. Segundo consta nos autos, o grupo teria sido responsável por como responsável por uma série de homicídios ocorridos na cidade.

Assista ao vídeo sobre o assassinato da juíza:

Caso não consiga ver este vídeo, clique no link abaixo para assistir na TV iG:

Juíza é morta a tiros em Niterói, no Rio

    Leia tudo sobre: assassinatojuízacrimeemboscada

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG