BRASÍLIA (Reuters) - O Ministério da Saúde confirmou nesta sexta-feira 70 novos casos de gripe H1N1, o que eleva para 522 o total de infectados pela doença no país. Dois pacientes do Rio Grande do Sul seguem internados em estado grave. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, informou que o aumento no número de casos já era esperado pelo governo por conta do alto fluxo de pessoas nessa época do ano, baixas temperaturas, férias escolares e o consequente incremento no número de viagens.

Temporão disse que, apesar do aumento, a transmissão é limitada uma vez que a maioria dos pacientes foi infectada no exterior ou são contatos próximos de pessoas que já viajaram.

"Significa que o vírus não circula no Brasil", afirmou Temporão em coletiva de imprensa no ministério.

Nesta tarde, o ministro também anunciou novas medidas e orientações por conta do aumento do número de casos.

Entre elas, a recomendação para que apenas se suspenda as atividades de locais públicos depois de se consultar a autoridade de vigilância de saúde local.

O ministro criticou o fechamento de creches, escolas, empresas de forma precipitada, sem se basear em critérios claros, transparentes e sem levar em conta a questão das características da doença.

"Houve com certeza medidas absolutamente desnecessárias que só criou insegurança", afirmou Temporão.

No Paraná, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) suspendeu suas aulas até segunda-feira, como medida preventiva, após uma estudante infectada pelo vírus ter entrado em contato com funcionários e alunos da universidade, afirmou a instituição em nota.

Escolas em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul também optaram por interromper suas atividades após a confirmação de casos da nova gripe, afetando mais de 10 mil estudantes.

Para evitar a resistência do vírus ao tratamento, o ministro também anunciou uma medida que reduzirá a medicação dos pacientes.

Apenas receberão o remédio as pessoas que apresentaram algum agravamento do estado de saúde nas últimas 48 horas e pessoas que apresentam maior risco de quadro clínico grave, como crianças menores de dois anos, idosos ou pessoas com imunidade baixa.

A confirmação de novos casos também sofrerá mudanças. Poderá ser feita a partir de exame laboratorial, como já acontece, ou quando ficar provado que a ocorrência do caso se deu quando o paciente frequentou o mesmo espaço de outras pessoas que tiveram o diagnóstico comprovado.

O caso mais grave da doença é o de um caminhoneiro de 29 anos que esteve em Buenos Aires e está internado desde segunda-feira em um hospital de Passo Fundo (RS).

"Ele apresentou melhora (na sexta-feira) após uma sessão de hemodiálise. (Mas) corre risco de morte, ele está sedado e em coma induzido", disse à Reuters o dr. Júlio Stobbe, vice-diretor médico do hospital São Vicente de Paulo.

Em Santa Maria (RS), a menina de 14 anos internada na UTI do Hospital Universitário apresentou considerável melhora mas segue em estado grave.

Temporão reiterou a recomendação de que crianças, idosos, gestantes e pessoas com imunidade baixa não viajem para países com transmissão sustentada do vírus.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, Estados Unidos, México, Canadá, Austrália, Chile e Argentina são considerados os países com transmissão sustentada do vírus.

"Ninguém está impedido de viajar. A decisão é de cada um, mas a recomendação é bastante clara", completou o ministro.

(Reportagem de Ana Paula Paiva, com reportagem adicional de Tatiana Ramil e Hugo Bachega em São Paulo)

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