Brasil tem 38% dos adolescentes vivendo em situação de pobreza

Dados fazem parte de estudo Fundo das Nações Unidas para a Infância divulgados nesta sexta-feira

Agência Brasil |

Dos 191 milhões de brasileiros, 21 milhões têm menos de 18 anos, sendo que 38% deles vivem em situação de pobreza. Dados divulgados nesta sexta-feira pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) indicam que o grupo corre o risco de se tornar invisível em meio a políticas públicas que focam prioritariamente a infância.

O relatório Situação Mundial da Infância 2011 – Adolescência: Uma Fase de Oportunidades indica que, em consonância com o cenário global, esses jovens vivenciam oportunidades para inserção social e produtivas insuficientes. A faixa etária é considerada a mais vulnerável em relação a riscos como o desemprego e o subemprego, a violência, a degradação ambiental e a redução dos níveis de qualidade de vida.

De acordo com o relatório, as oportunidades são ainda mais escassas quando são levadas em consideração dimensões que vão além da idade, como a renda, a condição pessoal, o local de moradia, o gênero, a raça e a etnia.

Apenas na Amazônia Legal, marcada pela diversidade étnica e social, habitam cerca de 2 milhões de adolescentes com idade entre 15 e 17 anos. Mas a disponibilidade de serviços voltados para essa população, segundo o Unicef, ainda é um desafio a ser superado.

Uma das recomendações listadas no documento é que o apoio dado na fase inicial e intermediária da infância seja estendido aos adolescentes, com investimentos em educação, cuidados de saúde, proteção e participação desses jovens, principalmente os mais pobres e vulneráveis.

Outra ação prevê a coleta de dados e informações capazes de identificar os grupos mais vulneráveis de adolescentes em todas as regiões e as iniquidades que os afetam, garantindo mais investimentos, oportunidades e direitos.

O Unicef pede também que os adolescentes brasileiros sejam ouvidos nos processos de tomada de decisão e que as escolas aproveitem a facilidade de aprendizado do grupo e contribuam para que eles adquiram competências, habilidades e conhecimentos necessários para desenvolver todo o seu potencial.

Mundo

Adolescentes em todo o mundo têm pela frente desafios considerados sem precedentes, como um cenário econômico internacional incerto, altas taxas de desemprego entre jovens, aumento do número e da intensidade de crises humanitárias e conflitos, mudanças climáticas e degradação ambiental, além da rápida urbanização.

O documento do Unicef, ao levar em consideração que esses desafios devem se agravar na próxima década, defende a ampliação da oferta de habilidades e de conhecimentos necessários aos adolescentes para que enfrentem essas situações.

Outros riscos listados pelo órgão – que podem impedir o desenvolvimento de capacidades na transição para a vida adulta – incluem a falta de oportunidades educacionais e profissionais; mortes violentas; relações sexuais precoces desprotegidas; HIV/aids e trabalho infantil.

Entre as áreas consideradas chave para o avanço em investimentos nesta faixa etária, o Unicef destacou: coleta e análise de dados; educação e capacitação; participação; criação de um ambiente que ofereça proteção e apoio; e resolução de desafios relacionados com a pobreza e a iniquidade.

O relatório indica que proporcionar a todos os adolescentes as ferramentas de que precisam para melhorar a vida será um fator que irá contribuir para a promoção de uma geração de cidadãos economicamente independentes, atuantes na sociedade e capazes de contribuir ativamente para a promoção de melhorias nas comunidades.

Desafios

Dados revelam que investimentos realizados nas últimas duas décadas permitiram grandes avanços para o período inicial e intermediário da infância, como a redução de 33% na mortalidade de menores de 5 anos e a eliminação de diferenças de gênero em matrículas de escolas primárias.

Entretanto, a evolução não é a mesma entre os adolescentes. Mais de 70 milhões deles em idade escolar estão fora das salas de aula. De acordo com o Unicef, é na segunda década de vida que a iniciativas aparecem de forma mais evidente.

O relatório alerta que as conquistas obtidas na primeira década de vida só se tornarão sustentáveis por meio de políticas nacionais e programas específicos que ofereçam aos adolescentes acesso à educação de qualidade, saúde e proteção.

De acordo com o Unicef, a população adolescente em todo o mundo dobrou desde 1950, sendo que 88% deles vivem em países em desenvolvimento ou menos desenvolvidos. O número absoluto de adolescentes continuará aumentando discretamente até 2030, mas, com exceção da África, o saldo já está caindo em quase todas as regiões do mundo e será reduzido de forma constante a partir de 2050.

Outra expectativa trata do crescimento do número de adolescentes vivendo em áreas urbanas – o percentual deverá subir de 50% em 2009 para 70% até 2050, sobretudo em países em desenvolvimento.

    Leia tudo sobre: brasilunicefpobreza

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG