Brasil soma 334 casos de gripe H1N1 e recomenda adiar viagens

SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil registrou 94 novos casos da gripe H1N1, o que eleva o total de infectados no país para 334, informou o Ministério da Saúde nesta terça-feira, quando o ministro José Gomes Temporão recomendou o adiamento de viagens para Chile e Argentina. Segundo o ministro, deve haver prudência e bom senso nesse momento, já que as férias escolares estão se aproximando. Chile e Argentina são os países da América do Sul com mais casos da nova gripe.

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"Basicamente o que as autoridades sanitárias recomendam é que pessoas com mais de 60 anos, crianças de até 2 anos, pessoas em tratamento de quimioterapia ou de Aids, ou seja, pessoas imunodeprimidas, se possível, adiem viajar para países onde o vírus circula", disse o ministro a jornalistas em São Paulo.

"Não é uma determinação, porque a Organização Mundial da Saúde não indica qualquer restrição a viagem, mas é uma recomendação. Se for uma viagem imprescindível ok, mas ao viajar que as pessoas cumpram as orientações das autoridades de saúde locais."

Até a noite de segunda-feira, o Chile registrava sete mortes e 4.325 casos da doença, e a Argentina tinha 10 mortos e 1.213 infectados. Mas, segundo o Ministério da Saúde, a transmissão do vírus no Brasil continua não sustentada.

Os únicos países com transmissão sustentada, segundo a OMS, são Estados Unidos, México, Canadá, Austrália, Chile e Argentina.

No Brasil, de acordo com balanço do ministério divulgado no início desta noite, há 334 casos confirmados da gripe H1N1. Há ainda 218 casos suspeitos e 656 foram descartados. A maioria dos casos, 160, está no Estado de São Paulo.

Por isso, a Secretaria da Saúde de São Paulo foi a primeira a recomendar que as pessoas evitem viajar, medida ratificada depois pelo ministro. A secretaria estendeu a recomendação também para os demais países da América do Sul que registram transmissão da doença, além de México, EUA e Canadá.

De acordo com um balanço da secretaria, 40 por cento dos casos registrados no Estado até a segunda-feira foram de pacientes que se infectaram em viagem à Argentina. Outros 15,5 por cento contraíram a doença nos Estados Unidos, 5,1 por cento, no Chile, e 2,5 por cento, no Canadá.

EMERGÊNCIA NO RS

No Rio Grande do Sul, o município de São Gabriel confirmou que uma menina de 14 anos foi infectada pelo vírus H1N1 após viagem a Buenos Aires. Ela está internada em estado grave com pneumonia na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário de Santa Maria (RS).

Outras 22 pessoas que tiveram contato com a menina estão sob suspeita, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

Com as suspeitas, o município decretou situação de emergência. Autoridades sanitárias gaúchas consideraram a medida "excesso de zelo".

"Não temos necessidade de medidas extremas. É um excesso de zelo para tentar impedir a transmissão local, mas não é uma medida recomendada pelo protocolo que adotamos", disse Francisco Paz, diretor do Centro Estadual de Vigilância Sanitária do Rio Grande do Sul, à Reuters.

A situação de emergência foi decretada na segunda-feira pelo município de 60 mil habitantes, localizado a 329 quilômetros de Porto Alegre. A medida foi tomada depois de a adolescente de 14 anos ter apresentado sintomas da doença e de ter circulado por locais públicos.

Em nota oficial, a prefeitura explica que, em consequência da medida, ficam suspensas por tempo indeterminado "as aulas em todas as instituições de ensino públicas e privadas, estabelecidas no município de São Gabriel, bem como fica vedada a realização de festivais, boates, shows, bailes, cultos e manifestações religiosas, assim como quaisquer outros eventos que importem na aglomeração de pessoas em locais fechados".

Uma escola particular de Porto Alegre também suspendeu as aulas por um período de uma semana, depois que um aluno teve diagnóstico confirmado de gripe H1N1.

Escolas de São Paulo e uma de Belo Horizonte também interromperam as aulas devido a casos da doença, conhecida como gripe suína.

A secretaria de Saúde da capital mineira disse que a escola da cidade que suspendeu as atividades tem 12 casos confirmados, sendo 11 alunos e uma professora.

(Por Carmen Munari, com reportagem adicional de Fabio Murakawa e Hugo Bachega, Sinara Sandri em Porto Alegre, Marcelo Portela em Belo Horizonte)

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