Brasil quer Irã de Ahmadinejad em acordo nuclear

O governo Luiz Inácio Lula da Silva enfrentará hoje o mais intrincado desafio da sua política externa. Ao receber em Brasília o polêmico Mahmoud Ahmadinejad, Lula estará diante da missão de convencer o presidente do Irã a concordar com os termos do acordo de Viena e, com isso, pôr fim à atual controvérsia na área nuclear.

Agência Estado |

Para seu encontro com Ahmadinejad, no Itamaraty, Lula tem seu discurso na ponta língua. Orientado pelo Itamaraty, o presidente vai reiterar que o Brasil reconhece o direito de o Irã desenvolver a tecnologia nuclear para fins pacíficos. Mas recomendará a Teerã investir na reconquista de sua confiança e indicará que, para isso, será preciso fazer um gesto adicional.

O Brasil acompanha com interesse a evolução do caso do Irã na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Em especial, porque teme que a proibição ao enriquecimento de urânio no Irã, defendida pelas potências nucleares, possa vir a se estender ao Brasil no futuro, mesmo com as garantias do fim pacífico do programa brasileiro. Para o Itamaraty, a única saída para o Irã seria cumprir o acordo de Viena, que está nas mãos de um governo iraniano que ainda impõe condições e resiste em assiná-lo.

O acordo dribla completamente a proibição pretendida pelos Estados Unidos, França, Inglaterra, China, Rússia e Alemanha - embora tenha sido negociado por esses mesmos países, sob a mediação da AIEA. Prevê que o Irã possa continuar com o enriquecimento de urânio até o teor de 5%. O produto final seria embarcado para a Rússia, onde seria processado até atingir o teor de 20%. Daí, seguiria para França, onde seria transformado em combustível para a planta nuclear iraniana que fabrica radiofármacos.

O presidente iraniano, entretanto, antecipou que não se deixará levar facilmente pelo argumento de Lula. Em artigo de sua autoria distribuído pela embaixada do Irã em Brasília, na última sexta-feira, Ahmadinejad afirma que há uma "polêmica injusta dos países ocidentais contra o programa nuclear iraniano" e que espera que seu país e o Brasil se aliem para vencê-la.

Ahmadinejad desembarca nesta manhã em Brasília para uma visita de apenas um dia, acompanhado por um séquito de 130 funcionários e de 150 empresários. Não viajará a outros pontos do País e, em princípio, deverá respeitar a recomendação do governo brasileiro de não repetir declarações que não tenham o consenso do Brasil - como a de que o Holocausto não existiu e a de que Israel deveria ser varrido do mapa.

Além dos encontros com Lula e autoridades, o iraniano deverá dar uma palestra em uma universidade e uma entrevista à imprensa. Partirá amanhã. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo .

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