Brasil quer acordo de Doha antes de posse de Obama

Por Jonathan Lynn GENEBRA (Reuters) - O Brasil enfatizou nesta quarta-feira a necessidade de as negociações da prolongada Rodada de Doha de comércio serem concluídas antes de o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, assumir seu novo posto em janeiro.

Reuters |

O ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, disse à Reuters que a chegada a um acordo nas negociações para a abertura do comércio global pode enviar um forte sinal para a economia mundial, ameaçada pela crise financeira.

Um acordo sobre uma proposta inicial pode poupar Obama de ter que lidar com assuntos comerciais complexos logo após sua posse em janeiro, acrescentou Amorim, em Genebra.

"As coisas serão facilitadas para o presidente eleito Obama se nós conseguirmos finalizar a proposta até o fim deste ano. Isso vai livrá-lo de escolhas bastante difíceis no início de seu governo", afirmou.

O Brasil, tido como potência agrícola, é um dos defensores mais interessados em um acordo na rodada da Organização Mundial do Comércio (OMC), lançada sete anos atrás, que poderia reduzir os subsídios concedidos a produtores pelas nações desenvolvidas.

Especialistas em comércio disseram que as negociações podem atrapalhar a agenda política se nenhum acordo inicial for fechado até Obama assumir a presidência, e que uma nova administração poderia desfazer alguns pontos já acordados.

Amorim, comemorando a vitória de Obama como o triunfo da esperança pelo fim do preconceito, descartou a idéia de que uma administração democrata nos EUA possa ser mais protecionista que a republicana e menos aberta para concluir o acordo comercial.

"Eu não acho que demorará mais. Eles têm mais com que se preocupar no setor de manufaturas do que com os problemas agrícolas que enfrentamos, e os democratas são também mais multilaterais", disse.

Amorim reconheceu que muitos diplomatas em Genebra empenhados nos detalhes técnicos das negociações comerciais não estão otimistas de que um acordo inicial de Doha possa ser concluído neste ano, após o fracasso de julho.

Mas ele disse que após as conversas com o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, e o ministro de Comércio da Austrália, Simon Crean --outro forte defensor de um acordo de Doha--, ele continua esperançoso.

O ministro brasileiro disse que a cúpula sobre a crise financeira com grandes países desenvolvidos e em desenvolvimento em Washington, no dia 15 de novembro, precisa enviar uma mensagem forte e concreta para que os negociadores completem o acordo comercial e não apenas expressar um apoio político.

"Um forte estímulo político será necessário. Eu não acredito nesse ponto em as negociações técnicas, e as autoridades estão aptas a fazer isso por si só", acrescentou.

"Agora você tem uma crise financeira que é para nós um grande motor para concluir as negociações, então eu espero que a reunião em 15 de novembro, além de o que vai decidir em nível financeiro... possa também dar o melhor e mais forte sinal que pode ser dado agora em termos de economia real: a conclusão da rodada", disse.

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