Brasil promete cortar até 38,9% das emissões para 2020

Por Carmen Munari SÃO PAULO (Reuters) - O governo assumiu nesta sexta-feira o compromisso de reduzir em até 38,9 por cento suas emissões de gases causadores do efeito estufa estimadas para 2020, uma meta voluntária anunciada semanas antes da reunião da ONU sobre clima em Copenhague.

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Segundo a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que fez o anúncio em São Paulo, foi levado em conta um crescimento do PIB de 4 por cento a 6 por cento ao ano até 2020.

"Nosso objetivo com isso é assumir uma posição política nesse caso, mostrando que o Brasil tem compromissos com o desenvolvimento sustentável", afirmou Dilma.

O compromisso anunciado vai de 36,1 por cento a 38,9 por cento, sendo que 20,9 por cento vem da redução do desmatamento na Amazônia. Ainda há ações no setor de agropecuária, energia e siderurgia.

Se o corte for de 38,9 por cento, as emissões do Brasil em 2020 se aproximariam dos níveis de 1994, com 1,7 bilhão de toneladas, 20 por cento abaixo das 2,1 toneladas de 2005.

O governo não anunciou, no entanto, o total de recursos necessários para implementar as ações, mas esclareceu que o crédito é essencial para cumprir as metas.

O Brasil pretende desempenhar papel-chave na cúpula mundial da ONU sobre o clima em dezembro, em Copenhague (Dinamarca). Com essa oferta de redução pretende convencer os países ricos a anunciarem metas próprias.

Anteriormente, o governo já havia anunciado o compromisso de reduzir em 80 por cento o desmatamento da Amazônia até 2020, o que representa um corte de 20,9 por cento nas emissões dos gases-estufa.

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, também presente ao anúncio do governo, disse que houve uma boa aceitação internacional à decisão do Brasil de comprometer-se voluntariamente com a redução da emissão dos gases-estufa.

"O ministro da Noruega me disse 'vocês não imaginam como isso é a melhor notícia que eu já ouvi, como isso vai dar uma injeção de ânimo, porque estava um certo baixo astral, você não faz eu também não faço", disse Minc a jornalistas, citando almoço na véspera do anúncio com o ministro de Meio Ambiente da Noruega, Erik Solheim. O país doou 100 milhões de dólares ao Fundo Amazônia, criado no ano passado para ajudar a financiar ações que reduzissem desmatamento da floresta.

"Ele falou que o Brasil com isso pode reverter essa situação em termos de ânimo. Um país em desenvolvimento, que não tem a obrigação de assumir compromissos tão fortes como esse. Eu concordo com essa análise."

As negociações na capital dinamarquesa têm o objetivo de chegar a um acordo para substituir o Protocolo de Kyoto, de 1997, para reduzir as emissões de gases-estufa, apontados como responsáveis pelo aquecimento global.

Entre os principais entraves para um acordo estão divergências sobre como dividir os esforços de redução de emissões entre países desenvolvidos e em desenvolvimento e de onde sairão bilhões de dólares em recursos apara ajudar os países pobres a fazerem frente às mudanças no clima.

Países em desenvolvimento, especialmente China e Índia, pressionam os países ricos a se comprometerem com um corte das emissões de ao menos 40 por cento abaixo dos níveis de 1990 para 2020.

(Com reportagem adicional de Eduardo Simões e Raymond Colitt, em Brasília)

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