Brasil pode mandar mais tropas ao Haiti, diz Amorim

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Brasil enviará mais militares ao Haiti se isso for necessário, disse nesta segunda-feira o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, pouco depois de o secretário-geral da ONU anunciar que pedirá o envio de mais policiais e militares ao país devastado por um terremoto na semana passada. De imediato, o Brasil já tem 1.300 homens lá, mais que um batalhão... Não excluo a possibilidade de que, à medida em que as coisas evoluam, se for necessário mais (militares), enviaremos, disse o chanceler a jornalistas no Rio de Janeiro.

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O ministro disse ter informações da Minustah, a força de paz da ONU no Haiti, e das próprias Nações Unidas de que seria necessário o envio de mais 800 militares e de 300 a 400 policiais para reforçar as forças da organização no país caribenho, o mais pobre das Américas.

"Acho que quem pode fazer um juízo melhor é a própria Minustah, mas há uma necessidade imediata de aumento do contingente total", disse Amorim a jornalistas.

Pouco antes, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que pedirá ao Conselho de Segurança da entidade o envio de 1.500 policiais e 2.000 militares adicionais à Minustah.

O Brasil lidera as tropas da Minustah, a missão de paz da ONU no Haiti, país devastado por um terremoto de magnitude 7 na semana passada. Estima-se que 200 mil pessoas tenham morrido. Dezenove mortes de brasileiros já foram confirmadas, sendo 17 militares.

O chanceler também negou a existência de tensões na organização da operação de apoio ao Haiti com os Estados Unidos, que estão enviando tropas ao país caribenho para contribuir com a ajuda humanitária e com a segurança.

Amorim disse, no entanto, que um memorando de entendimentos está sendo elaborado pela Minustah e pelos Estados Unidos para definir como será feita a cooperação na ajuda humanitária.

"O que tem que ficar claro é que o comando da segurança é da Minustah. Acho que isso está claríssimo, foi conversado com a secretária de Estado (dos EUA, Hillary Clinton), foi conversado também pelo secretário-geral da ONU", disse o ministro.

"Quando eu conversei com a secretária de Estado, eu lembrei que o general é do Brasil, mas representa também as Nações Unidas, que é o que legitima toda essa operação. Sem as Nações Unidas essas ações não têm legitimidade", disse.

"Não há nenhuma dificuldade de comunicação. Quando ela quer falar comigo, ela fala, e quando eu quero falar com ela, eu falo", acrescentou.

Amorim classificou de "complexa" a situação de segurança no Haiti e afirmou que o país corre o risco de retroceder para um status similar ao vigente antes de 2004, ano da instalação da Minustah no país.

"Sem dúvida alguma estamos vivendo uma situação humanitária muito complexa, que inevitavelmente tem repercussões na área de segurança", disse.

"Obviamente é um risco que se corre. As prisões foram destruídas e os líderes de gangues que estavam presos voltaram. Isso é um desafio que vai ter que ser enfrentado. Não há dúvida, um terremoto dessa natureza é um retrocesso sim."

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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